Plano Nacional para a defesa dos corais tem participação da Ufal

Professor Cláudio Sampaio, do curso de Engenharia de Pesca, está à frente dos trabalhos na Universidade; foram delimitadas 18 áreas estratégicas em todo o País, incluindo o litoral alagoano
07/07/2014 às 14h13 - Atualizado em 14/08/2014 às 10h26
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Participantes da oficina de consolidação do PAN

Lenilda Luna – jornalista

Os recifes de corais são facilmente observados ao longo de boa parte do litoral alagoano. O que na opinião do professor Cláudio Sampaio, do curso de Engenharia de Pesca, Unidade de Penedo, da Universidade Federal de Alagoas, é motivo suficiente para o Estado integrar o grupo que está elaborando o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Ambientes Coralíneos (Pancorais).

Cláudio Sampaio é o representante da Ufal no Grupo de Assessoramento Técnico que será responsável pelo monitoramento do andamento das ações do Pancorais. "Os ambientes coralíneos, constituem formações de recifes biogênicos, construídos por corais e algas, recifes de arenito e costões rochosos, com presença de corais, registrados desde áreas costeiras rasas até grandes profundidades", explicou o professor.

O professor também integra o Programa de Pós-graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos da Ufal, o que reforçou sua indicação para compor o grupo. "Sobre estes ambientes foram identificadas várias pressões e ameaças geradas pela ação do homem", alertou o pesquisador, reforçando a necessidade do Plano de Ação.

Áreas estratégicas

Para proteger estes habitas ricos e fundamentais para a sobrevivência das espécies marinhas, pesquisadores se reuniram, em abril, em Arraial D'Ajuda-BA, para a oficina de elaboração do Pancorais. "Em reuniões prévias foram delimitadas 18 áreas estratégicas de ação deste PAN, incluindo águas rasas e de mar profundo, desde o Maranhão até Santa Catarina. Alagoas foi contemplado com os recifes da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais", informou Cláudio Sampaio.

O Pancorais contou com a presença de cerca de cem participantes de vários setores da sociedade civil e esferas governamentais. Desde representantes de pescadores, instituições de pesquisa, universidades, organizações estaduais e municipais de meio ambiente, empreendedores, representantes de Unidades de Conservação federais e estaduais, das diretorias, coordenações regionais e centros de pesquisa e conservação do ICMBIO e do Ibama.

Entre as ameaças detectadas estão a perda ou a degradação dos recifes, causadas pela ocupação e uso desordenado das áreas costeiras, contaminação por poluentes e aumento da sedimentação, decorrentes das drenagens das bacias hidrográficas e mineração. "Outras pressões identificadas estão relacionadas aos efeitos das mudanças climáticas globais, pesca ilegal, excessiva ou em áreas críticas", esclareceu o pesquisador.

De acordo com o Cláudio Sampaio, o Pancorais representa um esforço coletivo para a conservação marinha brasileira, resultando na elaboração dos objetivos geral e específicos. "Foram definidas mais de cem ações de conservação visando à minimização dos impactos que sofrem estes ambientes tão frágeis e complexos, bem como à recuperação e à manutenção, em níveis ecologicamente sustentáveis, das 20 espécies-foco e de 35 beneficiadas", relatou o pesquisador.