Pesquisa resgata história da interiorização da Ufal

Trabalho vai contribuir com a preservação da memória do Campus do Sertão e os primeiros resultados da educação superior no interior de Alagoas

29/01/2014 14h45 - Atualizado em 14/08/2014 às 10h29
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Cristina e seu orientador, professor José Vieira Cruz

Manuella Soares - jornalista

A sede do Campus da Universidade Federal de Alagoas no Sertão, inaugurada pelo Reitor Eurico Lôbo no dia 13 de dezembro de 2013, é um espaço novo, mas já faz parte da história de Alagoas. O processo de interiorização do ensino superior começou em 2008, quando a Ufal toma a decisão de iniciar os trabalhos de expansão. A memória desse início até a implantação do Campus do Sertão é objeto de pesquisa da aluna Cristina Gaia, do curso de licenciatura em História, em Delmiro Gouveia.

Sob a orientação do professor José Vieira da Cruz, o trabalho está em fase de coletar dados em fotos, notícias de jornais, atas, relatórios, cartas, ofícios, portarias, vídeos e outras fontes significativas sobre o processo de constituição da comunidade acadêmica do Sertão, a instalação, a organização e as perspectivas do Campus. Cristina Gaia ainda tem realizado entrevistas com as pessoas que participaram ou participam, atualmente, da experiência de implantação do ensino superior na região sertaneja.

“Está sendo um grande desafio escrever sobre algo tão próximo e do qual fiz parte diretamente, mas sem perder o foco na objetividade necessária para a execução de um trabalho científico. Além disso, percebo a importância de contribuir com os primeiros registros e análises sobre a história do Campus do Sertão”, destacou Cristina.

A pesquisadora revela que a história da implantação do ensino superior no Sertão é repleta de acontecimentos que envolvem o perfil da comunidade acadêmica, a administração da Ufal, o programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), entre outras experiências e desafios até a inauguração do Campus. A Ufal chegou às cidades de Delmiro Gouveia e Santana do Ipanema levando a oportunidade de formação em oitos cursos de graduação, sendo quatro deles licenciatura, além de uma pós-graduação em Educação Étnica e Racial.

Cristiane Gaia está no último período do curso de História e a pesquisa que vai materializar a memória do início do Campus se somará ao conjunto de estudos produzidos pela turma dos primeiros alunos formados pela Ufal no Sertão.

Projeto mais amplo

O trabalho de pesquisas sobre a história e a memória do Campus do Sertão, que será apresentado na conclusão do curso de licenciatura em História da aluna Cristina Gaia, faz parte do projeto “Vozes do Ser-tão nas tramas de Mnemósine”, vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), realizado em parceira da Ufal com CNPq e a Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal).

“Esse projeto tem como objetivo principal constituir um banco de entrevistas com relatos de experiências sociais, culturais e políticas no Sertão do Estado de Alagoas, inclusive as relativas à implantação do ensino superior público federal na região”, ressaltou o professor José Vieira Cruz.

Construído a partir de uma discussão bibliográfica centrada no debate da expansão e da interiorização do ensino superior no Brasil, o trabalho é apenas um passo de um longo caminho. “Penso que seja uma contribuição importante que deve suscitar outras pesquisas tanto no campo da história quanto em áreas como Pedagogia e Letras, entre outras. Os significados relativos à implantação da Ufal na mesorregião alagoana devem ir além das questões quantitativas e ter um reflexo qualitativo importante também para as regiões circunvizinhas, a exemplo dos municípios da Bahia, de Sergipe e de Pernambuco, próximos ao Campus do Sertão”, acrescentou Cristina Gaia.