Oficina de alimentação saudável orienta crianças e gestantes

Projeto é promovido por residentes em Nutrição do Hospital Universitário

13/12/2013 15h51 - Atualizado em 14/08/2014 às 10h29
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Crianças e gestantes participaram de oficina dinâmica e educativa

Myllena Diniz – estudante de Jornalismo

Dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica revelam que o excesso de peso já atinge 16% das crianças de 5 a 9 anos e 20% dos adolescentes brasileiros. Com base nessas estatísticas, residentes em Nutrição do Hospital Universitário (HU) prestam atenção dietética a esse público infantil com sobrepeso e obesidade. Nesta sexta-feira, 13, o grupo promoveu oficina de alimentação saudável para a criançada e as gestantes em acompanhamento no Hospital. A ação complementa projeto de atendimento ambulatorial realizado durante todo o ano.

Falta de exercícios físicos e hábitos alimentares inadequados são comuns na geração fast food e provocam sérios riscos à saúde das crianças. Por isso, o núcleo de Nutrição da Residência Multiprofissional em Saúde da Criança, orientado pela professora Mônica Lopes, criou estratégias educativas para que os pacientes - crianças e gestantes – tenham boa adesão ao tratamento nutricional. Segundo a docente, o projeto completa um ano de existência e já possui bons resultados. "Hoje, acompanhamos mais de 50 crianças e 30% delas já apresentam perda significativa de peso", ressaltou.

Dieta equilibrada

Com o intuito de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e estimular o processo de conscientização dos assistidos, as nutricionistas Tahiná Pessôa e Ana Heloísa Goes, residentes do HU, ministraram oficina sobre a importância da dieta equilibrada e os riscos que os alimentos industrializados causam à saúde. Na ocasião, o grupo também apresentou receitas indicadas para quem busca o peso adequado com refeições saborosas e acessíveis. Além de aprender o passo a passo, o público degustou algumas opções, como sanduíche natural, arroz integral com carne moída, e bolo de banana – feito com farinha integral.

"Nós não pretendemos que as pessoas saiam daqui comendo apenas frutas, mas que diminuam o consumo de alimentos industrializados, busquem uma alimentação equilibrada e tenham motivação para a prática de atividade física. No caso das crianças, por exemplo, mostramos que, no lanche, é importante substituir biscoitos recheados, salgadinhos e sucos enlatados por frutas. Também lembramos que não devemos trocar o almoço por outras refeições", destacou Tahiná.

Para os pais que ainda têm dúvidas sobre o lanche adequado para a garotada, as nutricionistas pontuaram algumas opções práticas e saudáveis: frutas, picolés de frutas, bolachas sem recheio ou integral, bolo simples e pipoca caseira. Outra preocupação dos adultos são as "tentações" das festividades natalinas, que foram lembradas pela nutricionista Ana Heloísa Goes: "É um período muito difícil para as mães controlarem as crianças. Então, a família deve ficar atenta e estimular a movimentação dos filhos, para que eles queimem as calorias que estão em excesso", salientou.

Aprendizado e superação

Júlia, 7 anos, é paciente do núcleo há seis meses e já perdeu 4 kg. Atenta a cada orientação das nutricionistas, ela destacou algumas mudanças nos hábitos alimentares. "Eu passei a tomar suco da fruta e, agora, como nas horas certas. Outra coisa que me ajudou foi o ballet, um exercício físico que eu gosto muito", revelou.

Para a mãe da garota, Edivânia Silva, os resultados atingem toda a família. "Com a orientação da equipe, eu tirei da minha feira muitos lanches industrializados e passei a inserir biscoitos integrais e frutas. A Júlia era muito ansiosa para comer e, agora, já tem maior controle", lembrou.

Trabalho com gestantes

Mônica Lopes destacou que o projeto surgiu para crianças e adolescentes, mas passou a ter mais um público de interesse: as gestantes. De acordo com a docente, o núcleo acompanha mais de 60 grávidas, já que os riscos da obesidade podem ter início na gestação. "Oitenta e sete por cento dos pacientes que atendemos têm mães com excesso de peso. Quando a gestante está acima do peso, há riscos de que seus filhos tenham predisposição à obesidade. Também verificamos que a maioria das crianças com excesso de peso não tiveram o aleitamento materno adequado. Por isso, temos desenvolvido esse projeto com as gestantes e distribuído cartilhas de conscientização", reforçou.

A equipe realiza atendimento gratuito às terças-feiras, das 13h30 às 17h, no HU, em Maceió. Para marcar consulta, basta ligar para (82) 9613-2447/8892-6460/8150-7326, todos os dias, das 8h às 12h. Agendamentos presenciais são feitos às terças-feiras, das 13h30 às 17h, nas salas 3 e 5 do Ambulatório Pré-natal do Hospital Universitário.