Instituto Nacional de Propriedade Industrial concede três patentes a projetos da Ufal

Registro é fruto de pesquisas do professor João Nunes sobre fermentação etanólica

11/12/2013 17h05 - Atualizado em 14/08/2014 às 10h29
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Professor João Nunes esperou dez anos até que fosse emitida a garantia de propriedade intelectual

Myllena Diniz – estudante de Jornalismo

O ano termina com bons resultados para o professor João Nunes de Vasconcelos, do curso de Engenharia Química da Universidade Federal de Alagoas. O docente teve três patentes aprovadas pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), todas referentes a pesquisas na área de fermentação etanólica. As pesquisas foram encaminhadas ao órgão fiscalizador em setembro de 2003 e passaram por uma série de avaliações até que fosse emitida a garantia de propriedade intelectual para a indústria.

Os três projetos desenvolvidos por João Nunes têm objetivos em comum: diminuir o custo de produção do etanol e aumentar a competitividade dos produtores. Com esse intuito, o docente elaborou proposta para fermentação alcoólica com leveduras imobilizadas em colmos de cana-de-açúcar e em sabugos de milho, assim como sistema de configuração de fermentadores em série para a produção de etanol com leveduras imobilizadas nos colmos da cana.

Segundo o professor, o projeto inova ao propor barateamento dos gastos com a produção de um biocombustível. “Atualmente, o processo de produção industrial do etanol utiliza separadoras centrífugas contínuas para a reutilização dos micro-organismos produtores do combustível. Esses equipamentos são caros tanto em termos de aquisição como de manutenção. Então, nosso intuito é eliminar essa etapa de separação e diminuir os custos de produção. Buscamos eliminar essa etapa de separação e isso foi possível porque os micro-organismos ficam retidos nos fermentadores pela imobilização nos suportes inertes – o colmo de cana e o sabugo de milho”, explicou.

Vantagens

O especialista também ressaltou que a atuação desses fermentadores é ecologicamente correta, já que os colmos da cana-de-açúcar e os sabugos de milho são materiais biodegradáveis. Além disso, os materiais necessários para o processo podem ser reutilizados após a produção do biocombustível. “No final da safra, eles podem servir como alimento para o gado, porque são ricos em sais minerais, aminoácidos essenciais e vitaminas, especialmente as do complexo B”, destacou.

João Nunes também apontou outras facilidades promovidas pelos modelos. “Uma das vantagens dos dois suportes [colmo de cana e sabugo de milho] é que eles são abundantes nas regiões produtoras de etanol. Também destacamos que é um processo que tem baixo custo e que permite a obtenção de grandes quantidades desses suportes com as leveduras imobilizadas. O processo é simples, facilmente reprodutível e consiste, basicamente, na imersão do colmo e do sabugo em suspensão concentrada do micro-organismo agente da fermentação etanólica”, detalhou.

No INPI, as patentes estão registradas da seguinte forma: (PI – 0306525-1) Sistema para produção de etanol com micro-organismos imobilizados em colmos de cana-de-açúcar e processo para imobilização de micro-organismo em colmos de cana-de-açúcar; (PI - 0306524-3) Configuração de fermentadores em série para produção de etanol com micro-organismos imobilizadores em sabugo de milho; e (PI - 9300474-5) Processo de produção de etanol com micro-organismos imobilizados em colmos de cana-de-açúcar; sistema para produção de etanol; e processo para imobilização de micro-organismos em colmos de cana-de-açúcar.