Curso de Dança da Ufal instala Fórum Mestre Zumba

Fórum pretende criar um espaço de discussão e aprendizado sobre cultura negra e índia no Brasil
12/11/2013 às 11h20 - Atualizado em 14/08/2014 às 10h29
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Solenidade de instalação do Fórum

Natália Oliveira - estudante de Jornalismo

O auditório do Espaço Cultural da Universidade Federal de Alagoas foi palco de apresentações artísticas e debates sobre cultura afro-ameríndia, durante o Fórum Mestre Zumba. O evento foi promovido pelos cursos de Dança, Teatro, Música e História da Universidade. Entre os objetivos, o Fórum pretende criar um espaço de discussão e aprendizado sobre cultura negra e índia no Brasil.

Para receber o público, o auditório Guedes de Miranda foi decorado com cinco painéis pintados por participantes da oficina Diálogo com a obra de Zumba, que aconteceu semana passada, entre os dias 4 e 7 de novembro. Cinco obras de Zumba foram reproduzidas em banners e expostas no local.

Coordenado pela professora do curso de licenciatura em Dança, Nadir Nobre, o Fórum teve início com a mesa-redonda Inspirações Zumba. A atividade contou com a participação Edu Passos, do Centro de Belas Artes de Alagoas (Cenarte), com a história da dança negra; e dos alunos Carlos Augusto Martins, do curso de História, com a literatura negra; e Alexsandro Lima, do curso de Dança, com a experiência pela obra do pastoril do Mestre Zumba.

As alunas do curso de Dança, Cleci Nascimento e Giulynni Almeida, apresentaram o contexto da colonização da mulher negra, baseado nos estudos da doutora em ciências sociais e professora da Universidade Estadual de Londrina, Maria Nilza da Silva. Na ocasião, Cleci Nascimento declamou trechos da canção Facção Central, acompanhada por Giulynni Almeida ao violão.

Logo após a mesa-redonda, foi a vez da oficina de dança afro, ministrada pelo coreógrafo e professor de Teatro da Universidade Federal São João Del Rei, Evandro Passos. Enquanto o primeiro momento da atividade foi voltado à introdução básica sobre a dança afro, o segundo foi de pura prática, onde os participantes puderam aprender técnicas e passos de dança.

No próximo dia 20, Evandro Passos participará da Primeira Semana da Consciência Negra em Besançon, na França. “O Fórum veio no momento certo, onde o mundo está discutindo a dança negra, a influência africana. O evento não é só para negro. Isso é uma ignorância. O Brasil é formado, principalmente, pelas culturas europeia, indígena e africana, que precisam ser estudadas”, frisou o coreógrafo.

Abertura oficial

O Fórum foi aberto oficialmente, com a presença do vice-diretor do Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes (ICHCA), professor José Edson Moreira; da coordenadora do curso de licenciatura em Dança, professora Noemi Loureiro; do vice-reitor de Universidade Estadual de Alagoas, professor Clébio Correia; dos representantes da Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas, professor Eduardo Passos; do Sindicato dos Trabalhadores da Ufal, Jeamerson dos Santos; e da representante da Fundação Palmares, Maria José da Silva.

A mesa temática Música e corpo negro na cena, na mídia e na educação teve a participação do presidente e fundador do bloco afro Ilê Ayê, Antônio Carlos dos Santos Vovô; da professora e coordenadora de pós-graduação em Artes Cênicas na Universidade Federal da Bahia, Suzana Maria Martins; e do professor Evandro Passos.

O antropólogo, pesquisador e professor do Instituto de Ciências Sociais (ICS), Silóe Amorim, e doutorando em História Social na UFBA e professor titular do Cesmac, Aldemir Barros, falaram sobre o tema Arte e alteridade indígena: concepção, divergência e subjetividades conceituais.

Uma noite artística

À noite, foi exibido o documentário Balé Pé no Chão, que retrata Mercedes Baptista, principal precursora da dança afro-brasileira. Para finalizar o evento, Nadir Nóbrega e os participantes da mesa Inspirações de Zumba apresentaram performances artísticas em canto, poesia e dança.

Um dos destaques da noite foi o aluno de dança, Alexsandro Lima. Numa coreografia energizante, inspirado na obra Pastoril de Mestre Zumba, Lima foi envolvido pelas cores dos cordões encarnado (vermelho), que representava o fogo, e azul, calmaria. “A música tem sino e violino como instrumentos, já que o pastoril é uma festa natalina. É preciso algo mais forte. Mas isso fica para a próxima vez”, explicou Alexsandro Lima, justificando a falta de percussão para acompanhá-lo.

Depois de seis meses de preparação, Nadir Nóbrega garante que o evento não parou por aqui. “Ainda neste mês, o Sarau Mestre Zumba se apresentará em Arapiraca e Santa Luzia do Norte. E, em novembro do próximo ano, haverá a segunda edição do Fórum. A academia, os parceiros e alunos estiveram presentes. As mesas foram produtivas. Esse é o papel do Fórum: abrir espaço para reflexões na sociedade”, avaliou a professora.