Mulheres são 90% dos pacientes obesos no HU

Das 380 cirurgias de redução de estômago realizadas no hospital, 37 foram em homens

04/10/2011 15h24 - Atualizado em 13/08/2014 às 11h08
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Maria José Raimundo se prepara há dois anos para cirurgia bariátrica e já gastou R$ 2 mil com exames

Por Andrezza Tavares - Tribuna Independente, no dia 2 de outubro de 2011

Muitas pessoas não estão satisfeitas com o seu próprio corpo. Algumas querem ganhar uns quilinhos, outras se acham gordas e por isso falam que precisam perder peso. Mas quando o emagrecer vira questão de saúde, as medidas, muitas vezes são drásticas, porque em muitos casos, dieta aliada ao exercício físico, não surtem o efeito desejado.

As mulheres são maioria entre os obesos no país. Em Alagoas, 90% das cirurgias bariátricas realizadas no Hospital Universitário foram feitas em mulheres. De 2002 até setembro deste ano, das 380 cirurgias de redução de estômago, apenas 37 foram feitas em homens.

Maria José Raimundo dos Santos, de 39 anos, está na expectativa para fazer a cirurgia bariátrica. Ela fez dieta diversas vezes, perdia peso, mas voltava a engordar. "Quando eu emagrecia, em seguida engordava mais do que tinha perdido", conta.

A dona-de-casa fala que nunca foi gordinha. "Antes eu pesava 70 quilos, nunca fui 'palito', mas também nunca tive barriga. Comecei a engordar há 13 anos, quando passei a cuidar da minha sobrinha", explica Maria José. "Quando a fome apertava, eu começava a comer tudo o que tinha deixado de comer a semana toda", revela.

Atualmente, Maria José pesa 120 quilos e espera que este mês sua cirurgia seja marcada. Há dois anos, ela faz parte do Programa de Cirurgia Bariátrica do Hospital Universitário, único que realiza esse tipo de cirurgia pelo Sistema Único de Saúde. A demora na marcação da cirurgia é proveniente da dificuldade para a realização dos exames pelo SUS. "A maioria dos exames que fiz foi particular. Já gastei cerca de dois mil reais com exames", revela.

A dona-de-casa fala que o excesso de peso está prejudicando seu pulmão. Ela também desenvolveu a hipertensão. Apesar do problema, Maria José diz que nunca sofreu preconceito. "Nós é que temos preconceito com a gente mesmo. E a roupa que não presta, e a sensação de que as pessoas estão te olhando e falando de você, com tudo isso, comecei a me isolar", declara. Depois que começou o tratamento pré-operatório no HU, ela conta que ficou mais sociável.

Fila de espera por cirurgia tem 700 pacientes

De acordo com a nutricionista do Programa de Cirurgia Bariátrica do Hospital Universitário, Emília Wanderley, entre 600 e 700 pessoas estão inscritas no programa para fazerem o procedimento cirúrgico. "Suspendemos as inscrições, porque não estávamos atendendo à demanda. Agora só no próximo ano", explica a nutricionista.

Alguns pré-requisitos são essenciais para a realização da cirurgia pelo SUS. Apenas obesos com IMC acima de 50, ou 35 agravado pelas comorbidades, e que não conseguiram perder peso com dietas e exercícios físicos, é que podem fazer a cirurgia.

Comorbidades são as doenças associadas à obesidade, a exemplo do diabetes e da hipertensão. A cirurgia é contra-indicada para dependentes químicos. "[Nesses casos] a cirurgia iria direcionar o foco para as drogas, já que esses pacientes não vão poder descontar sua ansiedade na comida", explica a nutricionista.

Pesquisa realizada pelo HU, revela que a maioria das mulheres atendidas no programa lidam com comida na sua atividade profissional.

Depois da intervenção cirúrgica, professora perdeu 35 quilos

Mulheres que fizeram a cirurgia bariátrica contam que o excesso de peso estava comprometendo a saúde. Elas revelam que, apesar do tipo físico, nunca sofreram preconceito. A professora de teatro Sophia Morais fez a redução de estômago aos 22 anos, por questões de saúde. "Não conseguia emagrecer e o meu peso já estava prejudicando minha saúde", explica.

No dia da cirurgia, Sophia estava pesando 102 quilos e hoje, quatro anos depois, está com 67 quilos. A professora conta que nunca sofreu preconceito. "Eu que tirava 'onda' com a turma", declara.

"Se fosse para aconselhar, eu diria que as pessoas têm que tentar emagrecer. Fazer a cirurgia, só se precisar mesmo, porque tem que tomar remédio pelo resto da vida", explica a professora, informando que não se arrepende.

Em recuperação

A estudante de psicologia, Angicleide Pimentel, está se recuperando da cirurgia bariátrica. Em menos de um mês, ela já perdeu 14 quilos. "O primeiro mês é mais rápido, porque a alimentação é líquida", explica. "Sempre fui gordinha, mas a partir dos 18 anos, comecei a desenvolver a obesidade mórbida”. R

Reeducação alimentar também tem eficácia para os gordinhos

Quem está acima do peso e acha que a única solução do problema é a redução de estômago, se engana. Pessoas obesas também conseguem perder peso apenas com dieta e exercícios físicos. Exemplo disso é a digitadora Carla Regina Lins dos Santos, que perdeu 33 quilos em um ano.

Carla Regina comia muita "besteira', fez várias dietas e também usou medicamentos. "Tomava remédio, mas quando parava o tratamento, engordava tudo e mais um pouco", revela.

Ela que chegou a pesar 110 quilos, hoje está com 77. Por meio de uma reeducação alimentar e exercícios físicos, a digitadora conseguiu emagrecer. "Não sinto fome. Como de tudo um pouco, mas tudo controlado. Atualmente eu faço caminhada. Se a dieta fosse mais severa, tinha perdido mais peso, mas não estou fazendo forçado, por isso que está mais lento", explica.

Carla Regina teve sérios problemas de saúde. Por causa do seu peso foi internada com a pressão 24 por 14. Hoje, sua meta é pesar 70 quilos até o final deste ano.