Historiador carioca lança obra em Alagoas sobre o Quilombo dos Palmares


18/11/2009 10h02 - Atualizado em 13/08/2014 às 11h50
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Anivaldo Miranda - jornalista

Ivan Alves Filho, jornalista e historiador carioca, está em Maceió para fazer um ciclo de palestras e lançar um dos seus principais livros no Museu Théo Brandão, nesta quinta-feira, 19, às 19h. O livro é o “Memorial dos Palmares”, um dos relatos mais importantes já elaborados sobre a saga do Quilombo dos Palmares, a mais fantástica história sobre a resistência à escravidão no Brasil.

O lançamento do livro é resultado de uma parceria entre a Fundação Astrojildo Pereira, com sede em Brasília e representação em Alagoas, o Núcleo de Estudos Afrobrasileiros (Neab), da Ufal, e o Museu Théo Brandão. Além do lançamento no Museu, Ivan também vai levar o seu trabalho, na noite do dia anterior, quarta-feira, dia 18, à cidade de União dos Palmares, no contexto das comemorações da Semana Nacional da Consciência Negra.

Ivan Alves Filho, além de professor e escritor, dirige filmes e já fez diversas pesquisas históricas, boa parte delas ligadas à escravidão no Brasil e à temática indígena na história brasileira. O seu livro “Memorial dos Palmares” é editado pela própria Fundação Astrojildo Pereira. Para melhor conhecimento da trajetória de Ivan, transcrevemos a seguir um relato sobre as suas atividades e, depois, uma apresentação da obra feita pelo próprio autor:

Ivan Alves: um Historiador Militante

Nascido no Rio de Janeiro, Brasil, em 1952, Ivan Alves Filho é historiador, diplomado pela Universidade Paris-VIII e pós-graduado pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris.

É Autor de 10 livros, entre os quais Memorial dos Palmares, Brasil, 500 anos em documentos (apresentado pelo arquiteto Oscar Niemeyer), Cozinha brasileira (com recheio de História) e Velho Chico mineiro (obra prefaciada pelo ex-presidente da República, Itamar Franco). Participou de oito outros livros de caráter coletivo, um dos quais editado pela Unesco, em Portugal. Lançou, em 1998, juntamente com o historiador Nelson Werneck Sodré, o livro Tudo é política, o último trabalho desse respeitado cientista social. Ivan Alves Filho tem cerca de 40 ensaios e artigos históricos publicados em importantes revistas brasileiras, como Encontros com a Civilização Brasileira, Ecologia e Desenvolvimento e Política Democrática. E tem prontos dois novos livros.

Concedeu, entre 1988 e 2009, dezenas de entrevistas sobre o seu trabalho a diversos órgãos da imprensa brasileira e, mesmo, internacional. Seus livros vem sendo resenhados e comentados pelos principais publicações do Brasil desde a segunda metade dos anos 80 do século passado. Entre elas poderíamos citar o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, o Jornal do Brasil, O Globo, a Gazeta Mercantil, o jornal Zero Hora, e as revistas Época e Isto É. Muitos de seus livros estão catalogados em prestigiosas bibliotecas do mundo inteiro. Alguns de seus livros foram, inclusive, roteirizados para cinema e documentários (caso de Memorial dos Palmares e Aparecida Azedo - Uma pintura de conto de fadas). Fora isso, nomes conceituados da cultura brasileira e internacional contemporâneas - e podemos citar o poeta Ferreira Gullar, o arquiteto Oscar Niemeyer, o historiador Stuart Schwarz e a antropóloga Berta Ribeiro - fizeram referências a seus livros e ensaios.

Exercendo o jornalismo desde a primeira metade dos anos 70, Ivan Alves Filho trabalhou e colaborou em cerca de duas dezenas de publicações brasileiras, entre as quais a revista de economia Banas (correspondente em Paris em 1974 e 1975), a revista de cultura Módulo (correspondente em Paris, entre 1977 e 1982; dirigida por Oscar Niemeyer), os Cadernos do Terceiro Mundo e o Almanaque Brasil (que formulou, em 1992). Editou, entre 1984 e 1993, o Guia do Terceiro Mundo, posteriormente intitulado Guia do Mundo, publicação lançada em português, espanhol e inglês. E, entre 1984 e 1985, foi editor dos suplementos culturais do Jornal do País, do Rio de Janeiro. Foi, ainda, diretor-adjunto da publicação Brasil Mais, editada no Rio de Janeiro, entre 1996 e 1997.  Ao longo de sua carreira, entrevistou na Europa personalidades como o antropólogo Claude Lévi-Strauss, o psiquiatra Tony Lainé e o fotógrafo Henri Cartier-Bresson.

Ivan Alves Filho lecionou História e Economia Política e dá conferências históricas em várias cidades do Brasil e do Exterior (notadamente no Colóquio Internacional sobre Escravidão, convocado pela Unesco em Évora, Portugal, em dezembro de 2001).

Em diferentes momentos, atuou como pesquisador associado de órgãos como o Centro de Memória da Associação Brasileira de Imprensa (1984-1985), o Centro de Memória Social Brasileira, da Universidade Cândido Mendes (1985-1986), o Núcleo de Pesquisas sobre o Índio Brasileiro, da Universidade Estadual de São Paulo (1988-1989) e o Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos (2001).

Como documentarista, dirigiu, entre outros filmes,  A casa de Astrojildo (sobre o intelectual revolucionário Astrojildo Pereira), A democracia como meio e fim (sobre o dirigente comunsita Armênio Guedes), Morrer se preciso for (sobre o antropólogo Mércio Gomes), (todos esses em 2008) , O Partido do samba (sobre Sérgio Cabral), A necessidade da Arte (sobre Leandro Konder), em 2007, O construtor de sonhos (sobre Oscar Niemeyer), A luta poética (sobre Ferreira Gullar), Nada além da liberdade (sobre Antônio Ribeiro Granja), (todos em 2006) e Zuleika Alambert - Uma mulher na História e Jaime Miranda - Uma Voz do Povo (respectivamente em fevereiro e março de 2005), entre outros.

Dirigiu e apresentou, ainda, vários programas de cultura brasileira em emissoras de rádio (respectivamente em 1985-1986; 2002-2003 e 2005/2006). Atualmente (2009), Ivan Alves Filho organiza o suplemento Tempo de Cultura, no jornal Terceiro Tempo, sediado no Rio de Janeiro. E coordena o projeto de pesquisa Brasileiros e militantes desde julho de 2003, para a Fundação Astrojildo Pereira, de Brasília. É, ainda, editor do portal da referida Fundação desde março de 2007.