Crise financeira pode prejudicar pesquisas de variedades de cana-de-açucar


01/04/2009 12h12 - Atualizado em 13/08/2014 às 00h38
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I Reunião Anual da Ridesa

Roberta Batista – estagiária de Jornalismo

A Ridesa, Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcoleiro, realizou  a primeira reunião anual com os coordenadores do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar, no Centro de Ciências Agrárias da Ufal. O encontro teve o objetivo de discutir  assuntos como a pesquisa na região, a captação de recursos financeiros, os projetos que serão enviados ao Finep, CNPq e Ministério da Tecnologia, visando o melhoramento das pesquisas, assim como das condições de trabalho.

Geraldo Veríssimo, diretor do Ceca,  explicou que as variedades RB (República do Brasil) de cana são mais produtivas, geram mais lucros para as empresas e representam mais açúcar por área, prova disso é que 60% da área cultivada no Brasil é de RB.

Outro assunto discutido na reunião foi a crise financeira mundial. Os pesquisadores estão preocupados e frisaram que, sem o recursos do setor produtivo, a pesquisa não se sustenta e não se renova. Discussão relevante, pois o PMGCA é mantido por recursos da Universidade e importantes parcerias como o setor sucroalcoleiro.

O Ceca possui um acervo genético de cana-de-açúcar, localizado na Serra do Ouro, no município de Murici. Nessa estação experimental, há um banco de germoplasma, onde estão armazenados os recursos genéticos, com 2.600 tipos de cana. O papel da Ufal é fazer os cruzamentos dessas plantas e mandar as sementes para as Universidades pertencentes à Ridesa.

Professor destaca o problema das patentes

O professor Geraldo Veríssimo ressaltou também a importância da sociedade se voltar para o problema do desrespeito às patentes de cana-de-açúcar. Recentemente, foi apreendido em Minas Gerais um lote de cana-de-açucar de variedade desenvolvida pela Universidade Federal de Viçosa-MG, que estava sendo utilizada indevidamente por uma empresa privada, sem o pagamento de royalties à universidade que detem a patente.

Em Alagoas, a preocupação com o patenteamento das descobertas ainda é incipiente, e o respeito à devida utilização do que é desenvolvido pelos pesquisadores também precisa ser estimulado. "Temos que enfatizar a necessidade da valorização da propriedade intelectual pelo setor produtivo e dos vendedores de insumos", destaca o pesquisador.