Alunos do Curso de Enfermagem ajudam a cuidar de pacientes terminais


03/04/2009 11h58 - Atualizado em 13/08/2014 às 00h38

Lívia Santana – estagiária de Jornalismo

Sob a orientação da professora e enfermeira Cristina Figueiredo, o curso de Enfermagem possui, desde maio de 2008, um projeto de extensão intitulado Cuid(a)ção. Os objetivos do projeto são capacitar famílias para cuidar em domicílio do familiar em fase final de câncer – que se encontre fora de possibilidades terapêuticas -, contribuir para que esses usuários sejam mais ativos na resolução de seus problemas de saúde e contribuir para a formação do estudante de saúde na área de oncologia.

As famílias capacitadas por esse projeto são acompanhadas pela equipe multidisciplinar executora, através da formação de duplas de acadêmicos do curso de enfermagem, que adotam essas famílias acompanhado-as em domicílio uma vez por semana. Em caráter excepcional, a pedido das famílias, poderá haver visitas extras a depender de seu estado e suas necessidades.

O processo de execução do trabalho se dá a partir do momento da entrada da família no projeto, que são encaminhadas por profissionais do Ambulatório de Cuidados Paliativos. A partir daí há uma capacitação - aulas teóricas onde os grupos retiram suas dúvidas.  Em seguida há a adoção da família pela dupla de acadêmicos de enfermagem para o acompanhamento em domicilio. Como os pacientes já estão em estágio terminal, o tempo de vida deles é, em média, de dois a três meses. Após o falecimento ocorre a saída da família do projeto, que quase sempre doa remédios e outros materiais que não irão mais ter utilidade para eles.

“Os resultados do projeto têm sido gratificantes. Até o momento foram adotadas cerca de 25 famílias. Infelizmente, o tempo que passamos com eles é muito pouco”, conta a professora Cristina.  O número de visitas é crescente, os familiares ligam para retirar dúvidas até pela madrugada e são sempre atendidos com carinho pela professora que está sempre disposta a auxiliar. Houve uma redução de internações, três tentativas de financiamento e rodas de conversa com as famílias. O projeto realiza também a confecção dos manuais do cuidador, dos acompanhantes domiciliares e de folders de orientação.

No sábado passado, 04 de abril, haverá um mutirão para elaborar o Manual da Família Cuidadora, que contará com a presença dos alunos envolvidos no projeto, que hoje somam dez alunos.

A professora Cristina afirma que o ser humano tem direito a dignidade desde o nascimento até o último momento. O projeto vem contribuindo para que estes pacientes morram com mais dignidade e faz com que os alunos percebam a importância de haver projetos relacionados a cuidados paliativos. As estudantes também estão aprendendo a lidar com um aspecto esquecido pelos projetos pedagógicos: cuidar do ser que está morrendo.

Além da professora Cristina e acadêmicos de enfermagem, o projeto conta a participação de enfermeiras, médicos oncologistas, uma assistente social e uma psicóloga, todos do Centro de Assistências de Alta Complexidade em Oncologia (Cacom); uma fisioterapeuta do Instituto Pestalozzi e professora de nutrição da Ufal.

Para o acadêmico que quiser participar do projeto, basta procurar a professora. Antes de ser aceito no projeto, o estudante fará algumas visitas domiciliares de avaliação para observar se quer mesmo permanecer.

Este ano o projeto também está contando com o apoio de voluntários da comunidade para atuar em outras áreas. O voluntário poderá conversar com o doente, levar mensagens religiosas, doar uma palavra amiga. “Se cada voluntário doar duas horas de seu tempo, por semana, já estará fazendo um bem enorme a alguém que logo não estará mais entre nós”, disse Cristina.