Ufal, UnB e Instituto da Índia pesquisam biodiesel


17/03/2009 09h39 - Atualizado em 13/08/2014 às 00h34

Pesquisadores da Ufal e da UnB vão visitar o Indian Institute of Petroleum, na Índia, no dia 29 de março. A visita faz parte do projeto “Estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento de processos para obtenção de biocombustíveis de segunda geração”. O projeto foi aprovado pelo CNPq e faz parte de um acordo entre o Itamarati e o Ministério Indiano de Diplomacia para intensificar a cooperação técnica entre os dois países.

Vão integrar a delegação que viaja para a Índia, entre os dias 29 de março a 12 de abril, os professores Simoni Plentz Meneghetti, da Ufal, e Paulo Suarez, da UnB. Durante essa visita será fixada a data para que os pesquisadores indianos visitarão o Brasil.

A coordenação da equipe brasileira está a cargo do Prof. Dr. Paulo Anselmo Ziani Suarez, da UnB. A equipe é formada pelo grupo  da Ufal (GCAR - Grupo de Catálise Reatividade Química do IQB) e pelo Laboratório de Materiais e  Combustíveis (LMC-UnB). A equipe indiana é composta pelos pesquisadores Arunabha Datta, coordenador, e Dilip Kumar Adhikari, ambos doutores em Química e Biotecnologia.

No início da discussão sobre essa parceira, em 2007, o assessor de Relações Internacionais da Academia Brasileira de Ciências, Paulo de Góes Filho, destacou a importância da cooperação entre os dois países. Na área de bioenergia, a parceria Brasil-Índia é estratégica no sentido de criação de um mercado mundial para os Biocombustíveis. “Não adianta que um país detenha o monopólio da produção de determinado combustível, como o etanol derivado de cana”, afirmou o professor. “Para o etanol se transformar em uma commodity internacional há necessidade de que mais de um país participe do comércio internacional, e a Índia é o segundo produtor de cana do mundo, depois do Brasil”, avaliou ele naquela oportunidade.

Sobre o projeto

A Índia e o Brasil são países em desenvolvimento onde existe uma forte tradição no cultivo de cana-de-açúcar e de diversas fontes de óleos vegetais. Esses países são apontados como potenciais grandes fornecedores de álcool e biodiesel. No entanto, estes combustíveis são derivados de matérias-primas nobres: o álcool deriva de monossacarídeos (açúcares não polimerizados, principalmente a glicose) e o biodiesel de óleos e gorduras, ainda mais nobres e com custo de produção bem mais alto. Por esta razão, especialistas, políticos e a imprensa em geral têm sustentando um caloroso debate a respeito da capacidade do planeta de produzir biocombustíveis a partir dessas matérias-primas nobres sem afetar o abastecimento de alimentos.

No caso do biodiesel, o problema é ainda mais grave, pois, apesar de todas as opções já estudadas e propostas, ainda não foi encontrada uma fonte de óleo ou gordura com um bom balanço energético e economicamente viável, como é a cana para a produção de açúcar. Assim, existem diversos pesquisadores e empresas no mundo tentando desenvolver processos alternativos para obter biocombustíveis de forma mais eficiente energética e economicamente do que o biodiesel e mesmo do que o álcool.

 A idéia é utilizar biomassa de baixo valor agregado, como resíduos agro-industriais, sejam eles ricos em óleos e gorduras ou simplesmente em material celulósico, como o bagaço de cana. Dentre as alternativas, as mais promissoras estão baseadas nos hidrocarbonetos, que estão sendo chamados de Biocombustíveis de Segunda Geração. Portanto, acredita-se que seja essencial para o futuro da indústria de biocombustíveis desenvolver pesquisas para a obtenção de processos de produção de segunda geração.