Rede de Telemedicina do HU agiliza atendimentos à população

“Vamos fazer dessa Rede uma grande oportunidade de melhoria e de mudanças de indicadores sociais de Alagoas. Mas, para isso, é preciso que o trabalho seja coletivo, envolvendo os gestores estaduais e, principalmente, os municipais”, declarou a reitora Ana Dayse Rezende Dorea, durante a inauguração do núcleo de Telemedicina e de Telessaúde, na última sexta-feira, 20. O núcleo é uma realização da Rede Universitária de Telemedicina (Rute), do Ministério da Ciência e Tecnologia.

24/03/2009 09h09 - Atualizado em 13/08/2014 às 00h36
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Reitora discursa durante solenidade de lançamento da Rede

Diana Monteiro – jornalista

Ana Dayse reforçou que o serviço implantado não é só para o Hospital Universitário, mas para a população alagoana, e que toda a articulação a ser feita para consolidação do núcleo terá início nos municípios onde a Universidade Federal de Alagoas está presente. Além da interiorização dos 16 cursos de graduação na região Agreste, a universidade desenvolve ações através do Núcleo de Saúde Pública (Nusp) e do Programa de Educação a Distância em vários municípios do Estado.

A solenidade contou com a participação do presidente da Fapeal, Tadeu Gusmão Muritiba, da secretária de Ciência e Tecnologia do Estado, Kátia Born, do vice-reitor Eurico Lôbo, da direção do HU e da Escola de Enfermagem e Farmácia (Esenfar), de alunos e comunidade médica.  Na oportunidade, integrantes da Rede - representando o Ministério da Saúde, o Estado de Minas Gerais e a Universidade Federal de São Paulo -, participaram da inauguração à distância, conectados ao núcleo de Telemedicina do HU, e falaram da importância e dos avanços desse serviço para a área de saúde do país.

O coordenador nacional da Rede, Luiz Ari Messina, informou que a Rute foi implantada no Brasil em 2006 e interconecta os Hospitais Universitários no país, atuando na pesquisa colaborativa, no ensino remoto (a distancia) para o Programa de Saúde da Família (PSF), assim como na assistência a distância, em diversas áreas da Medicina, como cardiologia, reumatologia, radiologia, saúde da criança, dentre outras.

 A alta tecnologia da Rede, diz Messina, chega ao Hospital Universitário da Ufal e possibilita mudanças reais para a população do Estado que necessita de atendimento médico. “O atendimento a distância, realizado principalmente pelos profissionais de saúde que atuam no PSF, agiliza as ações na área não havendo a necessidade de a comunidade se deslocar até o HU”, enfatiza.

 Messina informa ainda que a Rede conecta atualmente 19 hospitais, mas a previsão é atingir 57 instituições este ano, cobrindo todos os HUs das universidades federais, além dos Estados do Amapá, Rondônia e Acre.

O Estado de Minas Gerais, diz o coordenador, é um exemplo avançado na assistência através da Rede, que está presente em 300 municípios através de um trabalho articulado com o Hospital das Clínicas da Universidade Federal daquele Estado. “Para a consolidação do núcleo é fundamental a parceria das Fundações de Apoio à Pesquisa e da Secretaria Estadual de Saúde, a quem cabe financiamentos para equipamentos.  

Ações a distância

Em Minas, há uma equipe de quatro médicos, com plantões diários de 12 horas, durante toda a semana. O trabalho em parceria com outros hospitais vem registrando mais de 600 atendimentos a distância por dia, dentro do Programa de Saúde da Família. Nesse Estado, 70% dos casos atendidos deixam de vir para a área urbana e têm a assistência no município onde residem. “A tecnologia é utilizada pelos profissionais do PSF para uma segunda opinião solicitada à equipe dos médicos que trabalham na Rede”, enfatiza.

O presidente do Comitê Técnico de Telemedicina e de Telessaúde do Hospital Universitário, João Batista, ressaltou o empenho da diretora de Ensino e Extensão Rosângela Fernandes para que o serviço fosse instalado em Alagoas. “O HU hoje se integra à Rede Universitária e a importância da interiorização da saúde possibilita um trabalho multidisciplinar e esse programa é uma ferramenta com essa finalidade”, disse João Batista.

O diretor do Hospital Universitário, Paulo Teixeira, enfatizou que a telemedicina encurta distância ao conhecimento local, regional, nacional e internacional, enfocando que o Estado continua detendo um dos piores índices de saúde básica do país.  O núcleo da Rute no Hospital Universitário já vem desenvolvendo atividades como: cursos a distância, debates, palestras e estudos de casos. A partir de agora, o hospital também se prepara para ofertar consulta on-line e fazer o telediagnóstico por imagem na área de atendimento.

A rede tem como um dos principais objetivos promover a integração dos projetos de telessaúde existentes no Brasil, contribuindo para a melhoria tanto na qualificação dos profissionais quanto no atendimento aos pacientes. A atuação envolve Grupos Especiais de Interesses conhecidos como SIGs, para outras áreas, como por exemplo, Enfermagem e Odontologia.

A telemedicina abre possibilidades para amenizar algumas dificuldades crônicas na rede pública de saúde em Alagoas, como a escassez de recursos, a carência de profissionais e a distribuição irregular de unidades de saúde nos municípios; sendo, ainda, instrumento de excelência para o ensino e a pesquisa.