Projeto da Ufal vai ser implantado em Moçambique


25/03/2009 11h08 - Atualizado em 13/08/2014 às 00h36
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Reunião da Direção de Cultura do Ministério da Educação de Moçambique

Lenilda Luna, jornalista, e Jacqueline Freire, estagiária de Jornalismo

A Direção de Cultura do Ministério da Educação de Moçambique marcou a data para o curso de formação de educadores musicais, que será realizado de 11 a 23 de janeiro do próximo ano. A atividade faz parte da implantação do projeto “Cantando e Brincando Aprende-se”, que foi desenvolvido pela aluna de Licenciatura em Música da Ufal, Sônia André, que é moçambicana e veio estudar em Alagoas por meio de projetos de intercâmbio com países africanos. A estudante foi orientada pela pesquisadora Rita Namé.

O projeto foi aprovado em Moçambique no ano passado e tem o intuito de estimular o conhecimento e a formação dos professores moçambicanos sobre a disciplina da Educação Musical, a partir do material recolhido nas comunidades escolares das diversas regiões de Moçambique, para ser utilizado didaticamente em sala de aula. O processo de investigação organiza o material selecionado transformando-o em ferramenta pedagógica para os professores e educadores de Educação Musical. “Queremos levar os professores a valorizarem a música no seu contexto histórico, político e social, levando em consideração a estética local, e respeitando o contexto cultural do lugar”, diz Sônia.

O Curso de Formação “Cantando e Brincando Aprende-se” vai reunir, professores, técnicos, artistas fazedores da cultura de Moçambique, perfazendo um total de 100 participantes. Será realizado na cidade de Maputo e vai contar com a presença dos facilitadores: Rita Namé, que é Educadora musical da Ufal, pianista, musicoterapeuta, especialista em Educação Musical, Etnomusiclogia e Musicologia, doutora em Letras e Coordenadora do Curso de Licenciatura em Musica da Universidade Federal de Alagoas; Sónia André, estudante da Ufal que elaborou o projeto, e professor Iramar Rodrigues, doutor em Música e professor do Instituto Dalcroze de Genebra, Suiça.

O projeto

Desde 2007, a estudante Sonia André vem colhendo informações em Moçambique, registrando cantigas e brincadeiras de roda. “É brincando e cantando que a criança aprende a se expressar, trabalhar. Isso permite até mesmo uma maior interação da escola com a família, com brincadeiras educativas que irão motivar discussões sobre temas pouco discutidos, como a AIDS”, explica Sônia.

A estudante destaca que a música ajuda no raciocínio lógico, na matemática, no desenvolvimento psicomotor, na afetividade e na socialização. “Diversos autores, como Dalcroze, por exemplo, preocupados com a transmissão do conhecimento musical, são unânimes em afirmar que a música é indispensável na vida do ser humano desde a vida intra-uterina até a velhice, veja a importância disso”, diz.

A idéia para o trabalho surgiu já em 2004, quando foi introduzido o novo currículo do ensino das artes e da educação musical em Moçambique. Sônia explica ainda que o país precisa de mais professores formados na área da educação musical e que seu projeto é uma tentativa de permitir ou ajudar os docentes moçambicanos a trabalharem o tema, “tendo ou não formação específica na área, já que nossa intenção é de que não deixe de ser dada a disciplina de educação musical nas escolas, mesmo que não existam professores formados na área”.