Pesquisadores adaptam coordenação modular para a construção

Com apoio do Programa Habitare e da Financiadora de Estudos e Projetos, professores e estudantes do Centro de Tecnologia e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas estão difundindo no Nordeste brasileiro o conceito de coordenação modular.

25/03/2009 08h05 - Atualizado em 13/08/2014 às 00h36
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Assessoria de Comunicação do Programa Habitare

O objetivo é colaborar com a construção de moradias de qualidade, especialmente as de baixa renda. Os estudos contam com a parceria das prefeituras de São Miguel dos Campos e Viçosa, em Alagoas. 

Racionalização de projeto e obra, além de redução de desperdícios e de custos estão entre as vantagens da coordenação modular. O sistema adota um módulo básico como medida para organizar e otimizar projeto e obra. Esse módulo, que no Brasil é de 10 centímetros, traz também como benefício a possibilidade de conexão entre componentes e materiais construtivos.

"A percepção da obra como um conjunto de sistemas articulados, e não apenas um canteiro de serviço, pode simplificar a gestão e possibilitar novas formas de produção, com maior produtividade e qualidade", explica a coordenadora do projeto 'Coordenação modular e conectividade aplicada à alvenaria de blocos', professora Aline da Silva Ramos Barboza, do Centro de Tecnologia da Universidade Federal de Alagoas.

Para difundir os conceitos de coordenação modular e conectividade, o projeto investe na aplicação e demonstração em moradias produzidas com blocos de concreto e de cerâmica. As cidades de São Miguel dos Campos-AL e Viçosa-AL possuem um projeto para a construção de habitações de interesse social e a unidade padrão desses projetos está sendo adequada à coordenação modular. De acordo com a professora, essa adequação servirá como referência para a proposição de um modelo de moradia de interesse social para o Estado de Alagoas. Articulações junto ao Sindicato das Indústrias Cerâmicas do Estado de Alagoas e Federação das Indústrias do Estado de Alagoas vêm fortalecendo a proposta.

Visão do mercado

Para dar suporte à pesquisa, foi realizado levantamento das dimensões de blocos para alvenaria de vedação (em cerâmica e concreto) nas principais lojas e fábricas de materiais de construção de Maceió-AL. O diagnóstico preliminar dos dados sugere que os blocos apresentam um grande variação de tamanhos e não se ajustam facilmente dentro de um sistema coordenado modular.

O levantamento mostrou também que construtoras adquirem os blocos de vedação pelo menor preço, sem levar em conta aspectos importantes como dimensões (os desvios de forma e peso influenciam diretamente na produtividade) e regularidade geométrica (sem essa característica é bem mais difícil se chegar a assentamentos uniformes e obter economia na argamassa de assentamento e revestimento.)

O grupo incorporou no diagnóstico os estudos sobre cerâmicas e esquadrias vendidas em Alagoas, levantando materiais, dimensões e fornecedores mais frequentes entre os construtores. “Após o levantamento fica evidente a grande variedade de dimensões existentes nas esquadrias e que elas têm seus componentes pensados separadamente, sem preocupação com a conectividade”, alerta equipe orientada por Aline no artigo ´Coordenação modular e conectividade aplicada à alvenaria de blocos em alternativas tipológicas de habitação de interesse social no Nordeste do Brasil`. O trabalho foi apresentado no XII Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído.

De acordo com a professora, as análises possibilitarão também recomendações de ajustes aos fabricantes, além de propostas de adequações ao sistema de construção modular. O projeto está inserido na Rede de Pesquisa ´Desenvolvimento e difusão de tecnologias construtivas para a habitação de interesse social`, financiada pelo Programa Habitare, da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

Saiba Mais:

A Coordenação Modular:

- Surgiu como uma alternativa para solucionar o grande déficit habitacional registrado no período pós-guerra, consistindo em um sistema capaz de racionalizar e ordenar a fabricação de qualquer componente, desde o projeto até o produto final.

- A ordenação e a racionalização se efetivam através de uma medida de referência denominada módulo, que será respeitado em todos os espaços e componentes do projeto.

- Suas regras estão definidas pela NBR5729 (1982), recomendando-se o módulo básico de 10 cm.

Mais informações com a professora Aline Silva Ramos Barboza, através do telefone (82) 32141296 ou do e-mail: alramos@ctec.ufal.br.