Manifestação em Defesa da Vida teve boa repercussão na imprensa

Os organizadores avaliaram de forma positiva a participação da comunidade universitária e a repercussão que o movimento alcançou na imprensa alagoana e nacional.

16/03/2009 09h03 - Atualizado em 13/08/2014 às 00h34
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Profª. Ruth Vasconcelos, vice-reitor Eurico Lôbo, pró-reitor Estudantil Pedro Nelson e pró-reitor de Extensão Eduardo Lyra

Com o objetivo de mobilizar a sociedade contra a violência que assola o Estado de Alagoas, a Universidade Federal de Alagoas promoveu na quinta-feira passada, 02, no campus da Ufal, a primeira manifestaçãoo do Programa Ufal em Defesa da Vida, reunindo representantes da sociedade civil e comunidade universitária.

No evento, coordenado por Ruth Vasconcelos, socióloga e coordenadora de Política Estudantil, foi alcançada a meta de se construir um grande varal pelo campus com 2.064 camisas, etiquetadas com os nomes e idades das 2.064 vítimas de assassinato em 2008, em Alagoas, segundo dados oficiais da Secretaria de Defesa Social.

“A violência no Estado de Alagoas tem uma dimensão histórica, e não apenas conjuntural. Tomando por base informações constantes no Relatório do Ministério da Saúde, a cidade de Maceió configura-se como a capital metropolitana mais violenta da federação, ou seja, é o espaço geográfico no Brasil em que a população corre mais riscos de morte” destaca o pró-reitor Estudantil, Pedro Nelson.

“A Ufal não pode ficar silenciosa diante de tal realidade. Neste sentido, estamos propondo o desenvolvimento do programa Ufal em Defesa da Vida, que tem por objetivo realizar atividades culturais, científicas e artísticas trazendo a temática da violência, dos direitos humanos e da segurança pública para o universo da comunidade universitária”, complementa Ruth Vasconcelos.

Ao longo de todo o ano haverá programação, sempre nas últimas quintas-feiras de cada mês, para dar visibilidade aos mortos do mês anterior. No entanto, tudo ainda está em construção, por isso é importante a cooperação das diversas entidades com a universidade.

A necessidade de conscientização foi um tópico enfatizado durante todo o ato, sendo a reflexão do antropólogo Luis Eduardo Soares bastante pertinente, quando o mesmo diz: “Se não há segurança para todos, não há segurança para ninguém”. Sendo assim, a conscientização acontecerá à medida que as pessoas entenderem que o problema da violência não é algo particular, mas de todos.

Vários representantes da sociedade estiveram presentes, como OAB, Iteral, Gerenciamento de Crises e Direitos Humanos, Ouvidoria Agrária do Incra, Secretaria de Defesa Social, Fórum Alagoano de Conselhos de Direitos (Facond), Sintufal, Adufal, Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, dentre outros.

Segundo Fernandes Teles, do Conselho de Direitos Humanos e da Pastoral Carcerária, 90% da população nos presídios é de jovens e 77% deles estão sob júdice. “Para acomodar todos os presos que temos no Brasil, é necessária a construção de 145 presídios no país, o que despenderia cerca de 1 bilhão e 700 milhões do governo federal. Mas o que aconteceria se esse valor fosse investido na educação, por exemplo?”, replica.

O tenente coronel Vinícius explicou que há uma ligação direta entre os assassinatos e o problema das drogas no Estado. "A maioria das mortes decorre do consumo de uma droga chamada crack", disse ele.

“Eu sou mãe de uma dessas camisas”. A forte frase marcou o início do discurso de Simone Sampaio, que perdeu seu filho em 2005, vítima de uma bala perdida em frente a uma casa de shows em Maceió. “Se queremos lutar pela paz, é preciso tratar o outro como igual”, declara a mãe que fica sem palavras para descrever a saudade do filho, mas revela que a solução não estaria em ações vingativas.

Já o discurso do pr. Wellington Santos, da Igreja Batista do Pinheiro, foi permeado por incentivos à autocrítica, como forma de resolver o problema debatido em seu cerne. “Como podemos falar em paz, com os altos índices de analfabetismo, desigualdade social e falta de saneamento básico? O que está acontecendo é uma reação às injustiças, estamos vivendo numa guerra civil, que não se restringe aos assassinatos, mas se configura quando cada um de nós tem preconceito com o outro por ser diferente; é nesse sentido que precisamos fazer uma autocrítica e reavaliar nossas vidas”, diz.

O vice-reitor, Eurico Lôbo, que esteve presente no ato representando a reitora que estava em uma reunião em Brasília, parabenizou todos os organizadores do evento e ressaltou a necessidade de união e comprometimento para se obter paz. “O movimento em defesa da vida não é um movimento de partidos, de grupos ou de sindicatos. Precisamos que todos essas entidades, incluindo o Movimento Estudantil, tome para si essa busca pela paz e a dissemine entre os seus. Esperamos que no ano que vem possamos fazer outro ato como este, tendo um número muito menor de camisas”, disse o vice-reitor finalizando o evento no início da tarde.

Paralelamente aos discursos, alunos de Teatro fizeram performances pelo campus, simulando homicídios e todo sofrimento que o envolve. O grupo atraiu a atenção da comunidade universitária.

As camisas usadas simbolicamente no ato inaugural serão doadas para comunidades carentes.

Leia também o texto de Ruth Vasconcelos publicado no blog do Ricardo Mota.

Assista a entrevista concedida pela professora Ruth à TV Pajuçara

O protesto foi noticiado no Globo Notícias

e ainda:

Gazetaweb

O Jornal

Blog Bruno Lamenha

Blog da Elaine

Jornal Hoje