Campus Arapiraca tem estudo inédito sobre enfisema pulmonar

O enfisema pulmonar é uma das principais causas de morte nos Estados Unidos. No Brasil, são registrados mais de 180 mil casos ao ano. Conforme dados do Sistema Único de Saúde, esse alto índice da doença no país tem como principal causa o tabagismo e a exposição prolongada aos agrotóxicos e gases tóxicos.

10/03/2009 09h29 - Atualizado em 13/08/2014 às 00h29
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Tabagismo

Por Diana Monteiro – assessoria de comunicação da Ufal

Em Alagoas, o enfisema pulmonar constitui-se na terceira maior causa de óbitos do Estado. Essa incidência acontece em conjunto com outras doenças do aparelho respiratório, agravada devido ao manuseio arcaico de agrotóxicos empregado na fumilcutura,  uma das principais fontes de renda da região agreste. Em 2006, na Unidade de Emergência do Agreste Dr. Daniel Houly, em Arapiraca, foram registrados 106 casos de óbitos em consequência da doença.

Diante desse alto índice de mortalidade e buscando dinamizar um diagnóstico mais preciso da doença, uma equipe multidisciplinar de pesquisadores do Campus Arapiraca, em parceria com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e a Unidade de Emergência do Agreste de Arapiraca, vem desenvolvendo o projeto “Auxílio Computadorizado ao Diagnóstico do Enfisema Pulmonar”.

Com financiamento da Fapeal, os estudos são feitos no Laboratório de Informática Médica e Bioinformática (LIMB), instalado no Campus Arapiraca, sob a coordenação do professor Marcelo Costa Oliveira, do curso de Ciência da Computação.

O estudo científico já desenvolveu o algoritmo, denominado de Marching Cubes, que reconstrói em três dimensões o resultado da segmentação do enfisema pulmonar, correlacionando com outras estruturas do pulmão. “O enfoque dado aos algoritmos de processamento de imagens direcionados ao auxílio computadorizado da doença é inédito na literatura”, diz o coordenador do projeto Marcelo Costa Oliveira, doutor em Informática da Saúde.

Iniciado em dezembro de 2008, o projeto dos pesquisadores da Ufal já possibilitou o desenvolvimento de ferramentas básicas de visualização e tratamento de imagem médicas em 3D.

Marcelo Oliveira informa que o estudo já possui mais de 50 exames de tomografia computadorizada diagnosticados com enfisema pulmonar. Segundo ele, o uso da tecnologia fará com que o especialista detecte mais facilmente a extensão do enfisema no estágio inicial, avalie a graduação da doença e os efeitos da medicação e classifique-o de forma precisa, baseado na distribuição anatômica da doença nos lóbulos. “Além disso, a visualização 3D poderá induzir mais facilmente o paciente a abandonar o vício do tabagismo”, pondera o pesquisador.

Obstrução Pulmonar

Marcelo Oliveira explica que o enfisema pulmonar é uma das principais patologias correlacionadas à obstrução crônica pulmonar, sendo caracterizada pela dilatação permanente e anormal dos espaços aéreos distais até os brônquios terminais, seguido pela destruição das paredes alveolares sem fibrose evidente.

A detecção destas alterações pelos especialistas - diz Marcelo - é uma tarefa complexa, porém o diagnóstico e tratamento precoce e preciso do enfisema pulmonar evitam o sofrimento intenso e prolongado dos pacientes e das famílias deles.

“Uma das maiores dificuldades da comunidade médica é lidar diariamente com o grande volume de imagens (300 a 600 por exame), produzido pela Tomografia Computadorizada Espiral que é a principal modalidade de imagem para detectar, caracterizar e quantificar o enfisema pulmonar”, explica Marcelo.

“Além da pesquisa direcionada ao melhor tratamento da população”, diz Marcelo Oliveira, “estamos criando no Campus Arapiraca um centro de referência em pesquisas tecnológicas aplicadas à saúde. Além disso, acreditamos que a tecnologia seja a principal solução para elevar a qualidade e reduzir os custos da saúde pública do estado de Alagoas”, conclui.

Os médicos pneumologistas, Fernando Antonio Mendonça e Guimarães Marcio Henrique de Carvalho Lima, e os alunos do Programa de Iniciação Científica da Ufal, Pedro Ayres, José Raniery Jr., Thiago Lins do Nascimento e Rodolfo Carneiro, integram a equipe multidisciplinar do projeto.