Adaptação à ortografia requer hábito, diz membro da ABL

A adaptação da sociedade brasileira às novas regras ortográficas da língua portuguesa, que entraram em vigor no dia 1°, é "uma questão de mudança de hábito", defende o linguista Evanildo Bechara, membro da ABL (Academia Brasileira de Letras).

16/01/2009 11h44 - Atualizado em 12/08/2014 às 23h53

"O que falta é o hábito da população", afirma o filólogo brasileiro, realçando que a reação da população está sendo "muito favorável".


"Quem critica, ou não leu o Acordo [Ortográfico] ou não gosta de mudança de hábito. A ABL já fez o que tinha que fazer. Já preparamos o Volp [Vocabulário da Língua Portuguesa] e mandamos o texto para a editora imprimir até final de fevereiro", disse à Lusa o membro da Academia.

As expectativas, segundo o linguista, são de rápida adesão às novas regras ortográficas no Brasil ainda este ano.


"Não são muitas as mudanças, mesmo assim o Brasil cedeu muito mais do que Portugal", defendeu Bechara, que critica o pensamento de que o acordo pode "abrasileirar" a língua portuguesa.

De acordo com o especialista, o Brasil cedeu em seis pontos principais no acordo: o fim do hífen, do trema, do acento circunflexo nos verbos no plural, a mudança do acento em ditongos abertos e a inserção de letras k,y,w no analfabeto.


"Portugal apenas cedeu em apenas um ponto, o de não escrever as consoantes mudas, em palavras como Egipto que passará a ser Egito". acrescentou.


Apesar das críticas, Bechara destaca que para a Academia "não resta dúvida nas regras" e que a instituição agiu "de acordo com o que estava estipulado".

 

Fonte: Uol