Delza Gitaí fala de ações no mês de conscientização sobre suicídio

Presidente do CVV Maceió é a convidada desta semana do programa Ufal e Sociedade
Por Simoneide Araújo - jornalista
14/09/2020 10h14 - Atualizado em 14/09/2020 às 16h04
context/imageCaption

Delza Gitaí, reitora honorária da Ufal e presidente do CVV Maceió

A reitora honorária da Ufal, Delza Gitaí, é a entrevistada do Ufal e Sociedade desta semana. Atualmente ela é presidente do Centro de Valorização da Vida (CVV) em Maceió e foi convidada pela Assessoria de Comunicação para falar da campanha de conscientização sobre o suicídio, que faz parte das ações do Setembro Amarelo. O programa vai ao ar nesta segunda (14), às 11h, pela Rádio Ufal, com reprises às 17h e às 23h, sob o comando do apresentador Thiago Prado.

Delza Gitaí é médica, formada pela Ufal, com mestrado em Ciências Biológicas-Fisiologia pela Universidade Federal de Pernambuco. Hoje é professora aposentada da Universidade, mas já ocupou o cargo máximo da Ufal, eleita reitora para o mandato de 1987-1991. Também já ocupou cargos como secretária de Estado no governo de Alagoas e atuou em várias outras frentes como médica e empresária. No entanto, ela resume seu currículo como voluntária do CVV. E é sobre a atuação dessa associação civil sem fins lucrativos que ela conversa no Ufal e Sociedade.

Segundo a presidente do CVV Maceió, a campanha é para despertar e conscientizar a população sobre o suicídio. “Mas a campanha também é para educar e divulgar para as pessoas o que está acontecendo no Brasil e no mundo em relação à questão do suicídio. Nesse aspecto, estamos convidando todas as pessoas para que essas ações não se limitem ao mês de setembro. Esse é um assunto que deve ser conhecido e comentado em todos os meses do ano”, destacou.

Delza lembra, ainda, que a campanha do Setembro Amarelo também quer despertar para a questão do suicídio. “Estamos num momento muito especial, no qual a humanidade está passando por dificuldades maiores, dificuldade financeira, de convivência nas relações interpessoais, medo, ansiedade, angústia, enfim…”, refletiu.

No Brasil, o cenário não é animador em relação aos números do suicídio nos últimos anos e, segundo Gitaí, dão uma tristeza porque há uma alta incidência entre jovens e idosos a partir de 60 anos. “O Brasil é um dos países que assinou a Carta de Saúde Mental Internacional para diminuir o número de suicídios, pelo menos dez por cento até este ano de 2020. Infelizmente não alcançamos essa meta e, mais do que isso, houve um aumento do número de suicídios em torno de 10% a 15%”, revelou.

De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil a média chega a 6,5 por cem mil habitantes; em Alagoas, os números são menores que a média nacional. Chega a 4,5 por cem mil habitantes. “Esses não são números atuais porque há um tempo necessário, em torno de dois anos, para que todos esses dados sejam coletados e divulgados. E devemos sempre tratar com dados oficiais. O que temos de registros de anos anteriores é que na região Agreste do Estado há municípios com números altos de incidência de suicídios e tentativas de suicídios, como é o caso de Arapiraca, que, inclusive, implantou um posto CVV. Agora Alagoas tem o CVV Maceió e o CVV Arapiraca”, anunciou.

Apoio emocional

O trabalho do CVV é de apoio emocional e, por meio do número 188, é feito o atendimento. “Mas nosso trabalho é maior que isso porque o CVV é um programa nacional que já existe há 58 anos. Começou com o posto Abolição, em São Paulo, e, de lá para cá, se espalhou por todas as regiões do Brasil. Hoje existem 125 postos e 4 mil e 200 voluntários. Nossa missão, enquanto programa, é valorizar a vida e, consequentemente, prevenir o suicídio”.

E completou: “No nosso atendimento nós damos apoio emocional à pessoa que nos liga pelo número de emergência, o 188. Esse número é resultado de um acordo de cooperação entre o CVV e o Ministério da Saúde. Nós funcionamos 24 horas por dia, sempre com um voluntário para atender a quem nos liga. Também funcionamos todos os dias, inclusive domingo e feriado”.

Além do número 188, o CVV também faz atendimento por e-mail e por chat e ambos podem ser acessados pelo site do CVV Maceió. “Esses atendimentos são mais recentes e são mais acessados pelos jovens. Em alguns postos, o CVV faz o atendimento presencial  e tem também o CVV comunidade, grupos de voluntários que fazem ações nas comunidades com palestras, rodas de conversas, grupos de apoio, como o grupo de apoio aos sobreviventes do suicídio, que são as pessoas enlutadas pela perda de um familiar, um parente, um colega de trabalho ou a própria pessoa que tentou o suicídio. Todas essas ações compõem o serviço e apoio emocional”, revelou.

Para ser voluntário é preciso ter mais de 18 anos, ter disponibilidade de tempo e disponibilidade de escutar o outro e fazer um curso introdutório gratuito. “O escutar é estar junto com o outro, empaticamente, confiando que o outro tem toda potencialidade de crescer, de ter a percepção do fato, segundo as suas próprias concepções, mas com condições de superação. No CVV Maceió, temos, no momento, em torno de 36 voluntários trabalhando no aprimoramento contínuo e nos atendimentos. 

O posto CVV Maceió tem três anos, não faz o atendimento presencial e ainda está no processo de expansão. Atualmente, estão abertas as inscrições para o curso introdutório, tanto no posto de Maceió quanto de Arapiraca, pelas redes sociais Facebook e Instagram.

Para saber mais, ouça o programa às 11h, às 17h ou às 23h, de segunda a sábado, ou acesse o podcast pelo site da Rádio Ufal .