Arquiteta Débora Moraes é a entrevistada do Programa Ufal e Sociedade

Trabalho de conclusão de curso da egressa da Ufal foi premiado pelo programa ONU Habitat
Por: Lenilda Luna - jornalista - 16/03/2020 às 11h27 - Atualizado em 16/03/2020 às 11h35
context/imageCaption

Arquiteta Débora Moraes, recém-formada pela Ufal

O programa Ufal e Sociedade desta semana traz uma entrevista com a arquiteta Débora Moraes, recém-formada pela Universidade Federal de Alagoas. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado por ela na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (Fau) recebeu o reconhecimento da Contribuição Projetual Arquitetônica, Urbanística e Paisagística, no prêmio Zélia Maia Nobre, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo em parceria com a Onu Habitat.

O Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (Onu-Habitat) mantém um escritório em Alagoas desde outubro de 2017. “A instalação do programa deu uma visibilidade internacional para as grotas e assentamentos precários de Maceió. O meu trabalho foi inspirado no programa Vida Nova nas Grotas, do Governo de Alagoas em parceria com a ONU”, relatou a arquiteta.

O estudo de Débora, intitulado Delineando a Urbanização da Grota Poço Azul, teve como foco a comunidade desta grota, localizada na parte alta da cidade, entre condomínios de moradores de alta renda, como Jardim Petropólis e Aldebaram, próximo à bacia do riacho Salgadinho, que conta com cerca de 500 habitantes. “É uma comunidade que convive há mais de 30 anos e tem profundas raízes naquele local”, destacou.

Em seu levantamento, Débora relata que a localidade é um assentamento precário, ou seja, apesar de viverem décadas ali, os moradores não possuem título de propriedade da terra. “Boa parte dos adultos trabalha nas proximidades, em serviços domésticos, de jardinagem e de segurança para os condomínios nas proximidades. A grota é um bolsão de pobreza em meio às habitações de luxo”, disse a pesquisadora.

Débora destaca ainda, no trabalho, que “por muito tempo, as grotas foram consideradas áreas de risco, ou mesmo causadoras de desequilíbrios ambientais tais como desmatamentos das encostas, do ressecamento de nascentes e poluidoras do solo e corpos d’água. Até que em 2005 algumas delas foram mapeadas no Plano Diretor Municipal (2006) como Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), reconhecendo a ocupação de tais assentamentos. Porém, pouco se avançou no que se trata de regularização fundiária ou provisão de infraestrutura”.

No trabalho ela indica algumas linhas de ações dentro das diretrizes urbanísticas, tais como definir Zona Especial de Interesse Social da Grota Poço Azul, promover a regulamentação fundiária, reflorestar áreas onde foram subtraídas a vegetação nativa às margens do riacho Salgadinho, implantar o sistema de cabeamento subterrâneo para todos os serviços de rede ofertados na Grota, entre outras propostas para a melhoria de qualidade de vida no local.

A apresentação do trabalho pode ser consultada aqui 

Ouça a entrevista completa no podcast