Pesquisadores recebem premiação por patente concedida em inovação

Homenagem foi concedida no Dia Nacional da Ciência, celebrado em 8 de julho
Por Lenilda Luna - jornalista
13/07/2020 16h37 - Atualizado em 16/07/2020 às 10h05
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Professora Marília Goulart

Na última quarta-feira (8), Dia Nacional da Ciência, três pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foram reconhecidos com o Prêmio Inventores 2020, uma iniciativa da Agência da Inovação Inova Unicamp. Os pesquisadores Marília Goulart (IQB), Fabiane Galdino (IQB) e Rui Reys (ICF) integram a equipe que desenvolveu um dispositivo sensor para detecção de artemisinina em amostras multicomponentes. Outro pesquisador de Alagoas que também participou desse trabalho é Phabyanno Rodrigues Lima, do Instituto Federal de Alagoas (Ifal).

A pesquisa também contou com a participação do professor Lauro Tatsuo Kubota, do Instituto de Química da Universidade de Campinas (Unicamp) e apresentou os resultados em 2009, mas só agora foi concedida a patente do produto desenvolvido pelos pesquisadores. Em função da pandemia, a homenagem foi entregue em uma versão virtual da edição da Revista do Prêmio Inventores. “Foi muito importante celebrar o Dia da Ciência, mesmo que virtualmente, principalmente nesse momento em que precisamos defender e valorizar a pesquisa científica realizada pelas universidades públicas”, declarou a professora Marília.

No dia da entrega do Prêmio, que tem como objetivo homenagear pesquisadores e docentes envolvidos em atividades de proteção e transferência de tecnologia, os pesquisadores Rui Reys e Marília Goulart concederam entrevista ao canal da Ufal no Youtube. “Muito importante falar de Ciência para todos os que acompanham as transmissões da Ufal, porque a Ciência é justamente essa arte de conexões e esse é um processo que contou com a participação de vários pesquisadores dedicados a uma doença negligenciada e devastadora como é a malária”, ressaltou Marília Goulart.

A pesquisadora destacou que a malária é uma doença antiga, com registros de mais de 2,4 mil anos, mas que ainda faz muitas vítimas. Em 2018, foram contabilizados 228 milhões de casos no mundo, com 405 mil mortes, principalmente de crianças. “O Brasil conta com grandes pesquisadores nessa área. No início das minhas pesquisas, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tive oportunidade de ter contato com pesquisadores de muita relevância, entre eles, a minha orientadora, Alaíde Braga de Oliveira,  e Antoniana Krettli, que é especialista em malária e pesquisou substâncias para combater a doença”, destacou Marília Goulart.

Marília Goulart ressaltou que a artemisinina, que foi o foco do desenvolvimento do sensor, é uma substância herdada da tradicional medicina chinesa, que foi incorporada nos modernos tratamentos para combater o parasita transmissor da malária. “Com base no conhecimento científico, a partir dos estudos das substâncias que encontramos na natureza, desenvolvemos esse sensor para detectar artemisinina, que está presente numa planta medicinal e é útil para controlar a malária. Nesse procedimento todo, vemos a potencialidade da Ciência”, relata a professora.

Mesmo para quem não é da área de Química, a sociedade em geral pode perceber que a pesquisa científica nessa área é desenvolvida principalmente nas universidades públicas, porque são doenças que acometem as populações de baixa renda, e assim são consideradas doenças negligenciadas. Desta forma, é fundamental considerar que a Ciência busca qualidade de vida e não lucratividade para a indústria farmacêutica. “Por isso foi tão gratificante desenvolver esse sensor. Foi um trabalho exaustivo, mas feito com muita dedicação e amor à Ciência”, declarou o professor Rui Reys.

O professor ressaltou que para desenvolver uma pesquisa que resulte em uma patente é preciso um trabalho científico rigoroso e colaborativo. “Leva tempo, exige muito do pesquisador, mas é uma grande satisfação quando chegamos a esse momento. Nosso sensor permite a detecção de artemisinina em quantidades muito pequenas, e pode ser usado para buscar as substâncias na planta já conhecida, a artemísia, como pode ajudar a descobrir substâncias similares em outras plantas e desenvolver novos fármacos para o tratamento da malária”, finaliza Rui Reys.