Pesquisadoras visitam comunidade quilombola no Sertão de Alagoas

As professoras da Ufal, UFF e Uerj foram recebidas por lideranças femininas
Por Ascom Ufal
21/11/2018 12h54
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Pesquisadores em visita à comunidade Serra das Viúvas

Pesquisadoras da Ufal, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) visitaram a comunidade quilombola Serra das Viúvas, localizada no município de Água Branca, Alto Sertão alagoano. A visita foi promovida pela professora Suzana Libardi, docente da Ufal no Campus do Sertão, em parceria com a Associação de Mulheres Artesãs Quilombolas da Serra das Viúvas (Amaqui), e se concretizou como uma atividade técnica promovida pelo projeto de extensão Grupo de Leitura em Estudos da Infância (Glei).

O projeto é vinculado ao Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Diversidade e Educação do Sertão Alagoano (Nudes) e ao Programa Círculos Comunitários de Atividades Extensionistas (Proccaext/Ufal). As pesquisadoras Conceição Firmina Seixas Silva (Uerj) e Beatriz Corsino Pérez (UFF Campos dos Goytacazes), estavam na região por ocasião de um Seminário ocorrido no campus em Delmiro Gouveia. A visita foi feita à casa de uma das lideranças comunitárias da Amaqui, onde as docentes se reuniram com outras mulheres artesãs da comunidade.

"Foi um enorme prazer visitar o Quilombo da Serra das Viúvas. Fomos recebidas por algumas das lideranças, que nos mostraram muito orgulhosas a construção da sede da Associação. Tudo feito com muito capricho pela comunidade! Nos juntamos a outras mulheres, na varanda da casa de uma matriarca do Quilombo, para uma conversa sobre o coletivo, a vida na comunidade, seus empreendimentos, as crianças, o plantio de alimentos, etc. Enquanto faziam seus artesanatos, todas elas falavam orgulhosamente do sentido de morar naquele lugar e de suas lutas para chegar onde chegaram. Apesar das dificuldades de diversas ordens que ainda enfrentam, ficou muito pregnante, nas várias histórias contadas, a potência, a força daquelas mulheres e daquele povo. Era de chamar atenção a solidariedade, os laços coletivos entre eles e elas que tornam possível e viva a comunidade quilombola! Agradeço de todo coração a oportunidade de ter conhecido essas mulheres e suas histórias de vida, e pelo acolhimento e carinho com que nos receberam", relatou Conceição Silva.

Beatriz Pérez, que desenvolve projeto em comunidade quilombola do estado do Rio de Janeiro, apreciou a atividade: "A visita ao Quilombo da Serra das Viúvas foi muito interessante para conhecermos mais sobre a história da comunidade, a luta pelo reconhecimento e para a construção da associação de artesãs. A comunidade quilombola de Cafuringa, onde eu desenvolvo projeto de pesquisa e extensão, ainda não foi reconhecida oficialmente e ainda está iniciando o processo de mobilização".

Pérez ainda levantoualgumas reflexões sobre a comunidade onde atua e a comunidade visitada. "Nestas duas comunidades vemos que as mulheres ocupam o lugar de liderança na articulação e militância política. Os homens acabam dedicando grande parte do seu tempo para o corte da cana-de-açúcar e para agricultura familiar. Tanto no Rio de Janeiro quanto em Alagoas, as escolas rurais estão correndo risco de fechar, gerando um grande problema para as crianças e jovens quilombolas que moram em áreas nas quais o transporte público é bem precário. Foi muito bonito saber mais sobre a mobilização das mulheres da Serra para que a escola da comunidade permanecesse funcionando", disse a pesquisadora, apresentando problemáticas importantes para serem pensadas na resistência dessas comunidades.

A Serra das Viúvas é uma comunidade que se destaca na luta quilombola pela confecção e difusão de trabalho em artesanato, que ajuda as mulheres a continuarem incrementando o movimento local. A Amaqui é parceira do Glei, aproximando os laços universidade-comunidade. Para saber mais, acesse o Facebook da associação.