Recém-formados pela Ufal são premiados pelo Conselho de Arquitetura

Eles conquistaram as três primeiras colocações do 7º Prêmio Zélia Maia Nobre, na categoria Trabalhos Finais de Graduação
Por Thâmara Gonzaga - jornalista
14/01/2022 16h11 - Atualizado em 17/01/2022 às 09h34
context/imageCaption

Vencedores do 7º Prêmio Zélia Maia Nobre, na categoria Trabalhos Finais de Graduação

Primeiro, segundo e terceiro colocados, além de duas menções honrosas. Um pódio todo formado por egressos de Arquitetura do Campus A.C. Simões da Universidade Federal de Alagoas. Assim foi a entrega do 7º Prêmio Zélia Maia Nobre de Excelência em Trabalhos Finais de Graduação, realizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Alagoas (CAU), no último mês de dezembro, durante as comemorações do Dia do Arquiteto.

Sávio Ravel Marinho da Rocha, orientado pelo docente Tácio de Oliveira, ficou com a primeira colocação ao apresentar o trabalho Anteprojeto de edificação de uso misto: integrando mobilidade, habitação e serviços no Centro de Maceió-AL. “Foi um projeto arquitetônico que possui, em uma única edificação, o uso residencial e um terminal urbano, englobando as temáticas relativas a diversas áreas da arquitetura, como o ambiente construído, a inserção do equipamento no tecido urbano e a utilização do paisagismo como ferramenta de humanização dos espaços públicos”, detalhou Sávio Ravel.

E acrescenta ainda: “O objetivo foi ocupar um imenso vazio urbano que se encontra no bairro do Centro de Maceió, com o intuito de tornar a área atrativa ao uso humano. Propus usos que suprissem a demanda da população por meio da utilização de parâmetros qualificadores, como o uso de fachada ativa, o uso misto, a caminhabilidade e a fruição urbana”.

Sávio se formou e já está atuando no mercado de trabalho. E muito da desenvoltura que apresenta em sua área de formação, ele atribui aos anos em que integrou a equipe da Empresa Júnior de Arquitetura e Engenharia Civil (Ejec), sediada no Centro de Tecnologia (Ctec) da Ufal. “Ao longo da minha trajetória na graduação, pude vivenciar várias experiências oferecidas pela Universidade. Dentre elas, a que mais me identifiquei foram os anos de dedicação à Ejec, onde pude vivenciar a atuação do profissional de arquitetura frente a desafios reais, com clientes reais e sendo assistido por professores orientadores. Esta experiência foi decisiva na minha tomada de decisão para área de atuação após a conclusão do curso”, contou.

Ao falar do Prêmio Zélia Maia Nobre, ele conta que esse é o principal desafio do aluno recém-formado e viu a oportunidade como “um excelente holofote para se projetar no mercado de trabalho”. “Ter o meu projeto avaliado e escolhido como finalista e campeão, entre tantos de qualidade dos meus colegas de curso, foi uma imensa conquista para mim. Uma recompensa pela dedicação a este trabalho de excelência que hoje me traz tanto orgulho”, comemorou.

Para conhecer o projeto premiado do Sávio, acesse este link e confira um vídeo que fez parte da apresentação para a banca de avaliação na Universidade.

Da Ufal para o Ceará

O segundo trabalho vencedor foi o do agora arquiteto Rodrigo Rocha e tem um forte valor afetivo. O projeto, Do brejo ao alpendre: parque urbano no semiárido, às margens do rio Banabuiú, Mombaça – Ceará, contempla a requalificação de um espaço na cidade natal dele, situada no Sertão cearense.

Ao falar sobre a escolha da área para fazer o projeto, ele explica que Mombaça sofre com a seca e que seus espaços livres verdes [praças] não atendem à demanda climática local. “Uma situação contraditória e paradoxal que despertou interesse pelo tema”, revelou.

O profissional afirma que sua principal preocupação era fazer com que os moradores da cidade se permitissem sonhar, passassem a enxergar as possibilidades do local, aproveitando o potencial já existente. “Sabemos como é a realidade da gestão pública das cidades brasileiras, sobretudo, nas pequenas e médias que se situam nos interiores dos estados. Mombaça tem muito potencial, foi fundada às margens do Rio Banabuiú, mas, historicamente, tem renegado o rio, desmatado e ocupado suas margens”, alertou.

O trabalho contou com a orientação da professora Regina Coeli. O arquiteto conta que ficou muito contente com o resultado. Ele lembra que envolveu muita dedicação. “Minha orientadora incrível e eu acreditamos muito na qualidade desse trabalho”, enfatizou, ressaltando: “Ele [o projeto] sintetiza muito dos valores que carrego, no que acredito enquanto arquiteto e urbanista. Enxergo nele também o sonho de muitas pessoas que desejam cidades melhores para se viver”.

Participar do prêmio promovido pelo CAU, diz Rocha, ampliou as possibilidades para além da Ufal, dando a oportunidade de mais pessoas conhecerem o trabalho que realizou e a atuação de um urbanista. “Fiquei imensamente feliz com o resultado. O prêmio é extremamente importante para nós profissionais que estamos ingressando no mercado, e ter meu trabalho sobre Mombaça, minha terra natal, sendo reconhecido em Maceió, a cidade que me acolheu, deixou-me muito emocionado”, celebrou.

E complementa: “Nas sete edições do prêmio, esta foi a terceira vez que um trabalho de urbanismo foi premiado e é a primeira vez que um trabalho de urbanismo desenvolvido para fora do estado de Alagoas obteve este reconhecimento. Então, fico muito grato e não poderia ser um sentimento diferente”.

Um novo Edifício Palmares

Com o trabalho Reabilitar o Edifício Palmares – proposta de um centro de referência para o Patrimônio Imaterial no Centro de Maceió/AL, Ítalo Monteiro ficou com o terceiro lugar e completou o pódio junto com os demais recém-formados pela Ufal.

O edifício já sediou vários órgãos federais, mas, atualmente, está inutilizado. “Desde 2015, o prédio foi esvaziado e hoje se encontra em alto estado de degradação. A proposta é aproveitar suas estruturas para a criação de um Centro de Referência para o Patrimônio Imaterial”, informou, ao explicar: “Busquei apresentar uma forma de se projetar no Centro, compreendendo os processos que envolvem intervir num bairro histórico, do ato projetual ao urbano, e propor um local que possa abarcar a diversidade cultural existente na nossa sociedade”.

De acordo com o arquiteto, o equipamento urbano poderia ser utilizado para realização de atividades educacionais e culturais, conectado com a cidade. “Uma arquitetura não está isolada do meio urbano e dos contextos que a circundam”, destacou.

Assim como os colegas de curso, ele conta que viu no prêmio a possibilidade de mostrar o seu projeto. “Decidi participar como uma forma de divulgar o meu trabalho, as minhas ideias e o que é produzido na Ufal. E também por acreditar que questões como o abandono, a descaracterização e a perda dos valores históricos e culturais que vêm acontecendo no bairro do Centro de Maceió pudessem ser levantadas e comentadas”, relatou Monteiro.

Ao receber o resultado, ele conta que sentiu um “misto de emoções”. “Estava muito ansioso. Ao anunciarem meu nome, foi uma grande satisfação por ter toda minha pesquisa, investigação e dedicação para produzir esse trabalho recebendo reconhecimento”, disse.

O projeto premiado de Ítalo é resultado da experiência de iniciação científica realizada na Ufal. “E isso é um outro fator de reconhecimento. Muitos insistem em dizer que ‘áreas de pesquisa não fazem projeto’, quando, na verdade, é o contrário. Há necessidade de muita pesquisa e de muito estudo na elaboração de um projeto, principalmente, com diversas variáveis como são as do Centro”, defendeu, ao reconhecer: “E eu não poderia esquecer de deixar aqui o meu agradecimento para a minha professora e orientadora, Lúcia Hidaka, que esteve presente em toda essa jornada até a elaboração do TFG [Trabalho Final de Graduação]”.

Ele também já colou grau e pretende seguir carreira acadêmica por causa da sua experiência com a iniciação científica. “Fez parte da minha vida acadêmica. Participei de alguns ciclos Pibic [Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica] e me apaixonei pelo que envolveu estudos sobre a Significância Cultural do Centro. Essa pesquisa possibilitou o aprofundamento dos estudos envolvendo os valores históricos e culturais desse local e resultou tanto na elaboração do meu TFG, como ao ser premiado pela Excelência Acadêmica para Iniciação Científica, em 2020”, lembrou.

E tudo caminha para o que foi planejado. Ítalo foi aprovado no Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele está cursando o primeiro semestre de forma on-line e o objeto de estudo dele é a produção da arquitetura moderna no Centro de Maceió.

O arquiteto conta que o valor recebido pelo prêmio vai ajudá-lo em seus planos de fazer o mestrado. “A vida acadêmica faz parte de mim. Seguir carreira acadêmica no Brasil é, praticamente, um sinônimo de muita coragem, diante de todo descaso, cortes de verbas, escassez de bolsas, sucateamento e desprezo que advém desse atual governo, mas, mesmo assim, lutarei por esse sonho, utilizando desde o valor do prêmio até a realização de financiamento coletivo e de rifas”, afirmou.

Menções honrosas

Na edição 2021 do Prêmio Zélia Maia Nobre, dos 13 trabalhos inscritos, cinco da Ufal foram considerados de excelência pela comissão julgadora. Os três primeiros formaram o pódio. Já os outros dois receberam menção honrosa.

Ádna Oliveira, com a proposta de um hospital da criança associado ao Hospital Universitário da Ufal, e Jéssyca Rodrigues, com o projeto de um centro poliesportivo em Maceió, foram agraciadas com as menções honrosas.

Para saber mais sobre os projetos vencedores, acesse aqui.