A vida estudantil na Ufal: apoio e aprendizado marcam jornada

O papel e o valor dos amigos são os temas abordados em mais uma reportagem sobre a convivência e a permanência do estudante da Ufal
Por: Pedro Vianna e Blenda Machado - estudantes de Jornalismo - 28/08/2019 às 12h08 - Atualizado em 28/08/2019 às 13h37
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Natália Cristina, Rayana Torres e Bruna Rocha, estudantes de Serviço Social

Muitas vezes a realidade dentro da Universidade pode ser um desafio para o estudante… Mas os amigos, que também são os companheiros graduandos, por uma incrível e conveniente coincidência, podem se tornar os grandes motivos que fazem caminhar até o final dessa jornada. 

Para a aluna do curso de Serviço Social, Bruna Rocha, na universidade, de uma forma ou de outra, o estudante precisa aprender a se virar sozinho por ser um ambiente que representa o início da vida adulta, mas não significa que não dá para fazer amigos nessa realidade corrida. Ela lembra como foi difícil no começo, mas que o apoio das amigas a fez continuar e seguir em sua decisão. “Eu já quis desistir no primeiro período, porque me vi totalmente perdida, não sabia de nada e não conseguia acompanhar o ritmo, mas tentei focar, continuei e estou aqui. No começo, a Natália [amiga de curso] foi quem me ajudou, ela falava muito para que eu não desistisse. Parte da minha família não acreditava no curso e, nem eu na verdade. Ela era a única pessoa que ficava me incentivando a não desistir”, relembra a estudante. 

Natália Cristina, graduanda de Serviço Social e amiga próxima de Bruna, explica que mesmo a experiência da universidade sendo tão especial, alguns momentos podem ser pesados para passar sozinha. As amigas são um grande ponto de apoio mútuo. “Eu acho que todo mundo que começa a faculdade tem esses momentos de crise se vai continuar ou não, por exemplo. Esses momentos são complicados e a gente procura os amigos. Agora mesmo, esse período está bastante conturbado, acho que pra todo mundo... E, às vezes, bate aquela ansiedade. É nesse momento que a gente procura os amigos. Tanto a Bruna como a Rayana [Serviço Social] me ajudam, porque eu falo muito sobre isso e elas sempre dizem: ‘Você faz o que pode, sempre dá o seu melhor’”, relata. 

Segunda casa 

A vivência acadêmica diária pode ser dura, às vezes, com tantos trabalhos, provas, estágios e projetos que são oportunidades para os estudantes. Os relatos são de um caminho nada fácil para percorrer, mas as amizades que se formam acabam virando uma verdadeira família. Afinal, é na universidade onde esses estudantes vão passar grande parte dos seus dias. 

A graduação também pode se apresentar como uma aventura ainda mais interessante para alguns, como o estudante de Ciências da Computação, Suleimanebaldé,  que tem 24 anos e veio da África para estudar na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Vivendo há aproximadamente nove meses em Maceió, o universitário possui uma visão importante sobre a vivência do jovem em coletividade.  “Acho que os estudantes possuem uma cultura de interdependência. Isso sempre acontece, mesmo você sendo bom no que faz, às vezes é necessário. Isso já aconteceu comigo várias vezes. Vários amigos já me ajudaram e eu fiz o mesmo quando eles precisaram de mim. Os próprios africanos que estão estudando aqui na Ufal, também me amparam bastante. Eu sempre sinto essa necessidade de ajudar, sinto que nasci pra isso. Quando algum estudante me pede auxílio de alguma forma, eu faço de tudo para conseguir resolver a situação”, destaca. 

Ele conta, ainda, que veio de uma realidade bastante diferente, mas que os percalços do caminho não podem ser motivo de desistência. “A Ufal tem o ensino que de fato eu procurava e ela está correspondendo com minhas perspectivas. Encontrei dificuldades, porque sai de outro sistema de ensino lá na África e já esperava algumas mudanças, mas acredito que elas não podem ser motivo para desistir. Temos que enfrentar e, para isso, temos que estabelecer planos. Estabeleci alguns, pessoalmente, mas a Ufal de algum modo, me ajudou com alguns serviços de acompanhamento dos estudantes, como a Proest [Pró-reitoria Estudantil], por exemplo”, complementa. 

O aprendizado acaba não permanecendo apenas em cada graduação, de forma isolada. O dia a dia na Ufal, entrelaça a vida dos estudantes e, no fim, todos eles acabam ajudando uns aos outros. A reciprocidade se torna algo quase vital. “Ter amizades aqui é algo muito importante. A vivência com os amigos serve , principalmente ,para o apoio emocional”, compartilha Jarézia, estudante de Pedagogia. Ela lembra, ao entreolhar com o amigo Vanderson, do curso de Ciências da Computação, que fez essa amizade duradoura na fila do Restaurante Universitário [RU]. “Acho que a Universidade tem muitas coisas assim pra nos oferecer. Dá pra fazer amizade aqui em qualquer lugar, basta estar no ponto de ônibus, biblioteca ou em qualquer fila”, brinca. 

A estudante de Pedagogia, Larissa de Lima, que já está no 6º período conta como as atribulações de seu trabalho afetam a sua vida acadêmica e como os amigos são importantes nesse quesito, mesmo que não sejam do mesmo curso. 

“A vivência na Ufal, era mais tranquila no começo. Depois, com a correria do trabalho - pois comecei a trabalhar numa escola - não tem sido tão fácil como era no princípio. No curso mesmo, eu não tenho intimidade com a pessoa da sala, então, só eu por eu mesma. Porém, na vivência louca da Ufal, a gente acaba encontrando pessoas completamente aleatórias. Um caso desses é o Éverton [amigo, estudante de Geografia], sempre quando preciso, até mesmo de apoio emocional, porque muitas vezes é difícil continuar ,e ele me motiva a isso”, reforça. 

E quando a universidade é sua primeira casa? 

Alunos da Universidade Federal de Alagoas com vulnerabilidade socioeconômica saem do interior ou de outros estados e, após participar de um edital, são contemplados para morar na Residência Universitária (RUA). Atualmente a RUA tem 135 moradores com acesso, também, ao Restaurante Universitário (RU), com direito a quatro refeições ao dia. O último edital, deste mês de agosto, contemplou 86 estudantes, dos quais 14 já foram convocados para começar a construir mais um laço com a Ufal. 

A afinidade faz a convivência na Residência Universitária (RUA) ser mais agradável. Como toda moradia, existem regras gerais e nos ambientes privativos, como nos quartos onde o estudante é direcionado. Com isso, os residentes contam que os acordos são fundamentais para a harmonia. 

Diego Pinheiro, estudante de Farmácia, diz como está sendo a convivência com seu novo colega de quarto e o ingresso no lar. ‘‘Ele é muito tranquilo e organizado, ‘cladão’, gosta de manter as coisas bem limpas. Tive sorte em ter caído num quarto com alguém assim, bem semelhante a meus hábitos’’, confessa e completa: ‘‘Ele me ensinou como funcionam as regras e os horários de pegar a comida’’. 

Everton Nascimento, já está morando há mais de três anos na RUA. Ele conta como é o relacionamento. ‘‘Quando alguém está doente a gente se preocupa ou quando alguém não pode chegar a tempo na hora da refeição, pede para alguém pegar. Para isso, existe um grupo do Whatsapp da residência geral e o de cada casa própria e até mesmo do quarto’’, detalha.  

Com alguns anos na casa, Everton afirma que construiu uma amizade verdadeira. “A gente nem era tão próximo, mas moramos na mesma cidade, e também não tinha uma amizade forte, como temos hoje. Somos irmãos praticamente. Quando saiu o resultado, eu fiquei em 5° colocado, ele em 24°. Ele ficou como meu hóspede enquanto esperava ser chamado. O menino que foi destinado ao meu quarto preferiu dividir com o amigo dele. Quando chamaram novamente, ele já ficou no meu quarto como residente oficial’’, fala sobre as coincidências que a Ufal proporcionou. 

O estudante de Zootecnia, Raí Duarte, morava em Teotônio Vilela e é um dos residentes aprovados para morar na RUA no último edital. “A convivência aqui na Residência Universitária está sendo a melhor possível, moro com duas pessoas, estou sendo muito bem acolhido por elas”, conta ao lembrar como era difícil permanecer na Ufal antes de ter o auxílio da RUA. 

“Quando vim para cá comecei a pagar aluguel e energia, com isso comecei a trabalhar aos finais de semana para conseguir um dinheiro e sobreviver em Maceió. Mas agora, com acolhimento da Ufal, irei ter mais tempo para me dedicar aos estudos e dar uma melhorada no meu desempenho acadêmico’’, ressalta. 

São histórias como as de Raí, Everton, Diego, Jarézia, Larissa, Bruna, Nathália e Suleimanebaldé que representam tantos outros milhares de estudantes da Ufal que convivem diariamente em cada um dos três campi, com suas respectivas unidades educacionais. Todos que um dia passaram pela Universidade têm alguma história de partilha e amizade para lembrar. Quando o estudante encontra em outro estudante o apoio que precisa, a rotina acadêmica sempre será mais leve.