Mobilidade acadêmica é foco do primeiro encontro do Grial

O evento contou com palestra e mesa-redonda sobre experiências de mobilidade
Por: Amanda Alves – estagiária de Relações Públicas - 10/04/2019 às 11h47 - Atualizado em 10/04/2019 às 12h46
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Primeiro evento do Grial aconteceu no Campus A.C. Simões

O Grupo de Relações Internacionais de Alagoas (Grial), composto pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Instituto Federal de Alagoas (Ifal), e a Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), realizou seu primeiro encontro na manhã da última terça-feira (9), no auditório da Reitoria. Intitulado A importância da internacionalização na formação acadêmica, o encontro teve como objetivo promover um debate sobre o tema da mobilidade acadêmica.

Compuseram a mesa de abertura o chefe de gabinete da Ufal e representante da reitora, Aruã Lima; a assessora de Relações Internacionais da Uncisal, Adriana de Medeiros; a coordenadora de Relações Internacionais do Ifal, Carla Cristina; e a assessora de Relações Internacionais da Ufal, Luciene Melo.

A primeira palestra, com mesmo nome do evento, foi ministrada por Alyshia Gomes, formada em Direito pela Ufal, mas que hoje se dedica a educação internacional. Alyshia dividiu suas experiências com mobilidade acadêmica, desde o momento da escolha do curso, até sua primeira viagem para a França, onde começou a dar os primeiros passos em sua carreira profissional, e quando fez seu mestrado na Suíça, onde tinha parentes.

“Hoje nós nos dedicamos a conversar com os alunos sobre as possibilidades de fazer uma mobilidade acadêmica, e a importância disso na sua formação, mas não considerando apenas a questão de pesquisa, de publicação, e sim, também relacionada à formação do profissional. Sobre o que a mobilidade vai trazer de positivo na formação do profissional do futuro. É importante que os alunos tenham em mente que a internacionalização está presente, é necessária, é algo que incrementa sua formação, mas não é mais algo que o mercado, as universidades e a academia veem como uma possibilidade, é algo que a gente tem que buscar, se a gente quiser ter um caminho de sucesso”, comentou Alyshia.

Em sua palestra, Gomes também trouxe a definição de educação internacional. “É um termo que não tem um conceito específico, existem vários autores que trabalham com isso. Mas, a gente vai trabalhar especificamente com alguns elementos que estão inseridos no conceito, como admissão internacional, os parâmetros internacionais, os testes internacionais. Você mescla tudo isso e trabalha com políticas de educação de países diferentes, e assim, está trabalhando com educação internacional. No entanto, eu sigo aquela ideia de que a educação internacional deve ser vista além disso. Seria a possibilidade de você trabalhar sistemas educacionais diferentes, mas com o objetivo de informar a cidadãos globais”, explicou.

Para Alyshia, existem três fases da educação internacional. A primeira, ela define como a que vivenciou enquanto ainda era graduanda: “Não existiam os setores responsáveis nas instituições de ensino que trabalhassem exatamente com educação internacional. Existiam sim oportunidades internacionais, experiências acadêmicas eram feitas, mas porque alguém individualmente buscou, e conhecia alguém lá fora. As instituições não dialogavam em relação a isso”.

Já a segunda fase ela relaciona com a que vivemos nos dias atuais, e consiste em uma forma mais conectada e organizada do que a anterior. “Hoje em dia a coisa mudou, e as instituições se reorganizaram, criaram os setores específicos para trabalhar com o tema, estruturaram seu trabalho e divulgam o mesmo. As oportunidades são divulgadas em feiras internacionais, universidades de fora vêm aqui no Brasil, ou fazem feiras através da internet, onde você pode saber as formas de admissão, as condições de estudo lá fora e etc. O mundo se conectou, e as Instituições de Ensino Superior também estão se conectando cada vez mais”, ressalta. De acordo com Alyshia, estamos caminhando para uma terceira fase, ainda mais modernizada..

Mesa-redonda: Experiências de mobilidade

Ao final da palestra, seis discentes da Ufal, Ifal e Uncisal, compartilharam suas experiências de mobilidade com os participantes do encontro, relatando também momentos de dificuldades. Clarisse Nacalté cursa Fisioterapia na Uncisal e é natural da Guiné Bissau. Ela relatou que além de suas dificuldades em algumas disciplinas, também teve problemas em se familiarizar com o tempero das comidas brasileiras, e disse de forma descontraída: “Eu quase morria de fome”’, fazendo todos sorrirem.   

Anna Martelli faz ensino médio no Ifal, é Italiana, e relatou que sempre gostou de viajar, então, sua mãe propôs que ela estudasse fora do país. “Minha mãe viu o quanto eu gostava de idiomas e de viajar, perguntou se eu queria fazer intercâmbio em outro país por um ano, e eu aceitei. Aí eu fiz todos os documentos que precisava, e escolhi o Brasil, porque era um país que eu ainda não conhecia”, relata a discente. A estudante também disse que sua experiência está sendo muito boa, já fez muitos amigos, e se impressionou com a quantidade de pessoas curiosas sobre seu país natal. “Uma coisa que eu achei muito interessante foi que todo mundo queria me conhecer, queria saber sobre a minha cidade e etc. Agora sou muito feliz, e não quero mais voltar para casa”, disse em tom de brincadeira.

Dagmer Patricia é angolana, graduada e mestranda em Meteorologia pela Ufal. Ela contou que após o término do ensino médio, foi em busca de oportunidades, ainda na Angola, e em um determinado dia, recebeu uma ligação dizendo que havia siado aprovada para uma bolsa. Dagmer buscou mais informações e descobriu que a bolsa era para cursar Meteorologia no Brasil.Ao saber do destino, se questionou: “No Brasil? Onde a mídia só passa coisas ruins?”. Ela relata que passou por algumas dificuldades para chegar ao país, sofreu preconceitos, mas afirma: “Me arrisquei e não me arrependo dos riscos que eu sofri”.

Também partilharam suas experiências fora do país Maria Jisele e Lucas Neves, do Ifal. Já Juan Manuel Perez, contou suas experiências no Brasil, ele é da Colômbia, e doutorando em Química pela Ufal. Foi um momento que serviu para os participantes conhecerem histórias diferentes, com dificuldades e perseverança para fazer uma mobilidade acadêmica proveitosa.

Ao final do encontro, a Camerata Jovem do projeto Artifal, do Ifal Maceió, realizou uma apresentação no hall da Reitoria.