Estudantes da Ufal vencem Prêmio Sincor de Jornalismo

Bruno Presado, Jade Katlen e Mácio Amaral ficaram em primeiro lugar com reportagem especial sobre diversos temas a partir da Reforma da Previdência
Por: Deriky Pereira – jornalista colaborador - 08/11/2019 às 18h47 - Atualizado em 14/11/2019 às 10h03
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Bruno Presado, Jade Katlen e Mácio Amaral vencem Prêmio Sincor de Jornalismo (Foto: arquivo pessoal)

Quatro estudantes do 8º período de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) se consagraram vitoriosos na 10ª edição do Prêmio Sincor de Jornalismo Alberto Marinho. Em solenidade realizada no Espaço Pierre Chalita na noite da última quinta-feira (7), Bruno Presado, Jade Katlen, Francisco Buarque e Mácio Amaral ficaram em primeiro lugar com a reportagem Precavidos: Mudanças na Previdência levam brasileiros a planejar alternativas para a aposentadoria.

Segundo Mácio Amaral, a matéria aborda diversos temas a partir da Reforma da Previdência e temas como as previdências social e privada, educação financeira em todas as idades, além de seguridade social e economia, por exemplo. “Quisemos percorrer muitas áreas que estão ligadas ao tema-chave. Para isso, trouxemos embasamento estatístico muito completo, a partir de entrevistas com especialistas e consulta a dados públicos e privados”, disse.

O estudante destacou ainda que, apesar do teor mais técnico, o lado humano não foi deixado de lado. “Por isso, entrevistamos, também, personagens de impacto que contaram suas histórias de vida com o preparo para aposentadoria e a educação financeira, pois sentimos falta de ver, no jornalismo, o tema economia a partir de uma ótima humanizada. Tudo fica muito limitado aos números”, comentou.

Já Bruno Presado revelou que a ideia era explicitar o momento atual frente à conjuntura política, mas sem perder o factual, uma das categorias principais do jornalismo. “Queríamos fazer um retrato histórico desse momento que vivemos, que é a reforma na esfera política e pública, mas sem perder o factual. Tivemos que unir o melhor dos dois mundos. Então, pensamos: ‘Por que não?’. Aí, aceitamos esse desafio, partimos para uma árdua apuração e, ao final da disciplina, alcançamos a nota máxima com esse trabalho”, vibrou.

A importância do incentivo

A matéria premiada faz parte de atividade da disciplina Laboratório de Webjornalismo e Jornalismo Multimídia, ministrada pela professora Laís Falcão de Almeida e que, segundo os estudantes, sempre os incentivou a buscar boas histórias.

“A professora nunca escondeu a sua empolgação com reportagens que envolvem texto, áudio e vídeo. É algo complexo, que precisa de esforço diário para conseguir um material dinâmico e aprofundado sobre cada assunto. No primeiro dia de aula, ela logo propôs a atividade em equipe para construirmos uma matéria multimídia. Não pensamos duas vezes e escolhemos o desafio de contar uma história fora do habitual, para sair da zona de conforto e do óbvio”, explicou Bruno.

Outro ponto reforçado por Jade Katlen foi com base nas orientações que eles receberam da docente, visto que a reportagem especial não foi pensada, primeiramente, para concorrer ao prêmio, mas para obtenção de nota na disciplina. “No entanto, mesmo quando a reportagem ainda não estava concorrendo a nada ela sempre achou que poderíamos fazer mais e melhor, acreditou no nosso potencial”, comentou.

A professora também conversou conosco. Além de expressar seu orgulho com a vitória dos alunos, Laís Falcão reforçou a força da universidade pública, ao ressaltar que, nela, os estudantes conseguem elaborar produções com muita qualidade e com temáticas importantes que precisam e merecem ser discutidas.

“A conquista desse prêmio vem a demonstrar como a gente, numa universidade pública, na Ufal, em uma disciplina de Jornalismo, usando os computadores da Universidade e a infraestrutura que ela tem a nos oferecer, a gente consegue aprofundar temáticas pertinentes, factuais e criar produtos de grande qualidade como foi o caso dessa reportagem”, disse ela, que também falou sobre o processo de ensino-aprendizagem das matérias laboratoriais.

Segundo a docente, além do conteúdo, disciplinas como essa também apontam possibilidades de experiências futuras aos estudantes que logo estarão no mercado. “Esse prêmio vem consagrar o trabalho e os produtos feitos nas disciplinas de laboratório, pois o objetivo dessas disciplinas é esse: proporcionar aos estudantes uma experiência profissional, a de como trabalhar em equipe e de como criar um bom produto jornalístico. Então, esse prêmio vem, de certa forma, atestar que a gente conseguiu fazer isso durante o semestre”, comemorou Laís.

“E os vencedores da categoria estudante são...”

Imagine que você tem a oportunidade de participar de uma premiação. As expectativas, claro, vão lá no alto. Até o momento em que você não escuta seu nome ou ele não aparece no telão, a ansiedade vai e vem. Até que, de repente, seu nome é ouvido – pra te deixar um pouco mais ansioso. Depois vem a frase aguardada: “E os vencedores da categoria estudante são...”, seguida do nome dos vencedores. Missão cumprida, vitória alcançada. Mas até chegar aqui...

“Na premiação, eles foram anunciando do terceiro até o primeiro colocado, então é um sentimento meio agridoce porque se você não ouve seu nome, significa que ou você está em primeiro, ou nem ficou entre os três finalistas”, recordou Mácio, entre risos. E ele continua: “Sabíamos que tínhamos feito um bom trabalho, dado o nosso melhor na apuração, na coleta de fontes e dados, mas só temos contato com o nosso trabalho, não sabemos nada dos outros. A categoria estudante foi a primeira, e a nossa reportagem foi resultado de uma disciplina da faculdade, então pensamos: será que é o bastante?”, lembrou.

E foi. No entanto, antes de sair o resultado, quem nunca passou por um aperto, não é mesmo? “Mas a história engraçada é que, assim que o cerimonialista estava falando sobre o segundo colocado, ele acabou citando o nome do Bruno e o meu [Mácio], então a gente se entreolhou e pensamos: Opa! E logo depois descobrimos que tínhamos vencido. Recebemos um spoiler, digamos assim”, contou, sorrindo, Mácio Amaral.

Ele revelou ainda que ainda recebeu feedback direto de um dos avaliadores, o que motivou ainda mais o trio vencedor. “A maior felicidade e sentimento de dever cumprido foi quando um dos três avaliadores veio à nossa mesa e comentou: Amei o trabalho, o primeiro lugar de vocês foi unânime entre a gente. Isso só nos deu certeza que todo o esforço valeu a pena e acho que a lição que fica é acreditar que você é, sim, bom o bastante”, salientou.

“Vida longa ao jornalismo!”

Ao final desta entrevista, os estudantes foram convidados a dedicar a vitória no prêmio a alguém. Em meio à fala de Bruno Presado, os três se resumiram numa resposta marcante e reflexiva, que você confere, na íntegra, abaixo:

"’Se um dia eu voltar a mesma de uma viagem [...] abandono a profissão’. Eliane Brum parece ter escrito cada linha desse prólogo, em Olho na Rua, para contar a nossa jornada dentro do jornalismo. Lutamos, choramos e mergulhamos em cada história de maneira única. Essa vitória é um ponto final no ciclo de quatro anos na Universidade. Temos orgulho de bater no peito para agradecer a cada professor de comunicação que, nessa jornada, com pouquíssima estrutura, aprendemos, desenvolvemos e agora somos jornalistas”, disseram.

E continuaram em meio a uma reflexão: “Em um momento tão tumultuado da nossa classe, não perdemos a ética e o respeito com outros colegas de profissão. Neste ano, enfrentamos uma greve lado a lado contra a redução do piso salarial e, infelizmente, até chegamos a ser retirados do nosso campo de trabalho por conta disso. Hoje, viramos o jogo, e mostramos que profissional é quem levanta a cabeça e dá a volta por cima.”

Os estudantes ainda dedicaram esse prêmio a cada um que, à sua maneira, colaborou para que eles pudessem conquistar essa vitória. “Dedicamos esse prêmio aos professores, a nossa família e, claro, aos amigos que deixaram a nossa caminhada mais leve ao longo do curso. Vida longa ao jornalismo!”, resumem Bruno Presado, Jade Katlen e Mácio Amaral.

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